15/09/2016

Testei o Tradr. Conhece? É uma espécie de Tinder da economia colaborativa



Mesmo compondo a base do Projeto Desapegão, preciso alertar: a doação de roupas, apesar de solidária, nem sempre é sustentável. Segundo esta reportagem da 'Newsweek' (indicada pela querida amiga Chiaki Karen Tada), o consumo desenfreado de moda pelo mundo tem gerado também uma doação desenfreada - e sem mais a quem assistir, grande parte dela acaba em aterros ou incineradores, provocando aquela treta ambiental já conhecida.

Aqui no blog, inclusive, abordei o tema em dois posts anteriores: sobre a indústria de cobertores de Panipat, na Índia, e sobre o desapego fashion da atriz americana Anne Hathaway.

Por isso, hoje, resolvi indicar outra maneira responsável de dar um fim às roupas que você não usa mais: trocá-las ou revendê-las. E, para tanto, testei o Tradr, app desenvolvido pela brasileira Jéssica Behrens, com apoio da Universidade de Harvard (acho chique) e lançado no ano passado. Disponível para iOS e Android, o aplicativo tem como objetivo ser o Tinder da economia colaborativa.

Ao abrir o Tradr no smartphone, você vê, logo de cara, uma pilha de fotos - só que não de gente, mas de produtos. Roupas, em sua maioria. Camisetas, calçados, calças, vestidos, blusas, acessórios... "Em busca de desafiar a lógica do descarte e da compra, o Tradr usa a troca como principal moeda", diz a equipe do app em seu blog. De fato, há vários itens disponíveis para troca, mas a maioria ainda está à venda. Dedos cruzados para que isso mude em breve.

Não gostou da peça? Deslize a imagem para a esquerda e vá para a próxima. Gostou? Deslize para a direita. Ao fazer isso, você automaticamente dá um 'like' no item e tem três opções: iniciar um chat com o vendedor (acertando detalhes da troca ou da venda); já comprar a peça (caso o sistema de pagamento esteja ativado - o que, por hora, é raro); ou guardar a imagem na sua lista de favoritos (para decidir sobre o produto mais tarde).

Aliás, é com a lista de favoritos e 'likes' que o app "aprende" a identificar o seu estilo e, a partir de então, passa a mostrar apenas itens próximos dele.

Ainda há filtros para quem procura categorias específicas (feminino, masculino, vintage, fashion, artesanato, livros, decoração, etc.) e um campo de busca para produtos e pessoas.



Dá para achar coisas bacanas (veja acima), mas com uma garimpada dedicada, até árdua (nada diferente do Tinder, não?). Eu, infelizmente, só curti itens à venda, encontrando poucos produtos legais para troca. Pena... Também a exemplo do aplicativo de namoro e pegação, topei com certas bizarrices, como uma máquina de escrever Olivetti Studio 45, um tênis que pisca, uma cadeira de escritório e até aqueles barris de Whey Protein. Não é Mercado Livre, tá, lindushos?

Para quem quer anunciar um produto, o funcionamento segue simples. Você pode tirar uma foto com o próprio app (ou escolher uma imagem guardada no seu celular) e aí basta selecionar as categorias em que o item entra, se você vai trocá-lo ou vendê-lo, estipular o preço (caso caiba) e postar. Rapidão.

Não pare de doar!

Sim, meus queridos, a experiência com o Tradr foi positiva e o app se mostra uma boa alternativa à doação de roupas - embora ainda careça de uma turbinada em oportunidades de trocas. Mas, não, não abandone a solidariedade. Não quero, de maneira alguma, desencorajar alguém a doar as sobras do guarda-roupa. O importante, acredito, é ser mais criterioso na hora de escolher a ONG ou as pessoas que receberão as peças, a fim de evitar o impacto ambiental citado lá em cima. Informe-se sobre o fim que elas terão e certifique-se de que não acabarão no lixo. Muitas entidades, por exemplo, usam as roupas para realizar bazares beneficentes. Ou seja, os itens recebidos são, de fato, reaproveitados.

E se a procura por doação responsável não prosperar, então, troque, venda... Apavora no Tradr, meu bem!