29/09/2016

Bombe o seu gasto responsável com o aplicativo Moda Livre



Além de levar em conta sustentabilidade e solidariedade - mantras do Projeto Desapegão -, o consumo consciente de vestuário também pode ser adotado tendo como base outra questão séria e urgente: o combate ao trabalho escravo. Referência no assunto, a ONG Repórter Brasil diz que, nos últimos 10 anos, centenas de pessoas (sobretudo imigrantes sul-americanos) já foram encontradas no país produzindo roupas em situação de escravidão, principalmente na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo.

Pior: muitas das oficinas de costura autuadas forneciam peças para grandes grifes e magazines, daqueles onipresentes nos shoppings.

Saiba mais sobre o trabalho da Repórter Brasil neste video

Procurando ajudar o consumidor a se informar sobre o tema, a entidade lançou o aplicativo Moda Livre (disponível para iOS e Android), que monitora a política trabalhista de cerca de 80 grifes e varejistas (obrigado pela dica, Angélica Sales, sua linda!). Ao abrir o app, você vê as marcas dispostas em ordem alfabética e as avaliações de cada uma.

Há três tipos: Melhor Avaliação (empresas que possuem mecanismos de acompanhamento da cadeia produtiva e histórico favorável em relação ao assunto); Avaliação Intermediária (empresas que, apesar de acompanharem a cadeia, precisam melhorar os mecanismos e/ou possuem histórico desfavorável em casos de trabalho escravo); e Pior Avaliação (não monitoram a produção e têm histórico desfavorável ou não responderam às perguntas da ONG).



Clicando em cada marca, você ainda acessa detalhes da avaliação e o questionário respondido (ou não) pela empresa, na íntegra. Notícias e explicações sobre escravidão, o método empregado no aplicativo e a atuação da Repórter Brasil completam os serviços do Moda Livre.

Baixe o app, turbine o seu Desapegão ou, se a sede consumista for imbatível, pelo menos ensacole roupas despidas do trabalho escravo.

22/09/2016

Descarte, sim. Como um japonês



Quando o primo Reinaldo Simizu me indicou o livro 'A Mágica da Arrumação' (valeu, Rei!), best-seller mundial da japonesa Marie Kondo, lançado no Brasil em 2015, fui logo checar a abordagem da autora em relação ao desapego. De fato, para ensinar a organizar sua casa (e sua vida), Marie não cai no senso comum do "livre-se de tudo o que está sem uso há um ano"; ela trabalha a relação emocional que você mantém com cada objeto, incluindo roupas, calçados e acessórios - os alvos do Projeto Desapegão. Se a peça te traz alegria, diz o livro, guarde-o. Se não, descarte-o.

A princípio, entretanto, me pareceu um pouco irresponsável exatamente o uso do "descarte", do "jogue fora" e do "vai para o lixo" desprovido de qualquer viés sustentável. Afinal, estamos em tempos de simplificar a vida e nos livrar dos excessos, mas sem maltratar ainda mais nosso judiado meio ambiente (um dos temas, aliás, do post anterior). Não dá para sair jogando fora tudo aquilo que não nos faz feliz, né? Precisamos pensar no impacto ambiental do nosso desapego, considerando ações tão defendidas aqui: doação, troca, reciclagem...

A doação até surge em alguns momentos do livro, meio tímida. Reciclagem? Descarte ambientalmente responsável? Nada. Nadica.

Mas aí me veio um insight que, espero, pode explicar a ausência da abordagem ecossocial no "desfazer-se" de Marie Kondo: a autora vem do Japão. E o arquipélago - onde morei por um ano e meio - lacra quando o assunto é tratamento de lixo. Lá, meus caros, não tem essa de deixar o entulho indesejado na calçada e a limpeza pública que se vire. Você responde pelos seus próprios detritos. E deve aprender a separá-los, armazená-los e descartá-los, seguindo um protocolo extenso e rígido, sob pena de multa caso o descumpra.

Há regras, dias, locais e horários específicos para cada tipo de lixo - orgânico, papel, vidro, metal, roupas, aparelhos eletrônicos, revistas, etc. Quando o bagulho é grande, o cidadão ainda deve pagar para se livrar dele. Sim, senhor. E não pense que o 'migué' brasileiro funciona: todos os bairros contam com moradores-fiscais, que monitoram os pontos de coleta. Certa vez, me fiz de desentendido e joguei o lixo no dia errado; quando voltei para casa, ele estava na minha porta, com um bilhetinho do fiscal, deixando claro que só não fui multado porque era novo no bairro. Delícia, não?

Saiba mais sobre o descarte de lixo à japonesa neste post do blog Perdida no Japão, escrito por Thais Fioruci

Assim, meus queridos, acredito (ou quero acreditar) na ingenuidade de Marie Kondo em relação aos termos "descartar" e "jogar fora" além-Japão. Se para nós eles soam simplesmente como "tirar da frente", para Marie, já vêm embebidos na responsabilidade ambiental aplicada todo santo dia em sua terra-natal - e, portanto, óbvia demais para ser explicada no livro. "Descarte", na cabeça da autora, é (e sempre foi) sinônimo de sustentabilidade.

Ao ler a obra, please, pense e aja como um japonês. Arigatô.

15/09/2016

Testei o Tradr. Conhece? É uma espécie de Tinder da economia colaborativa



Mesmo compondo a base do Projeto Desapegão, preciso alertar: a doação de roupas, apesar de solidária, nem sempre é sustentável. Segundo esta reportagem da 'Newsweek' (indicada pela querida amiga Chiaki Karen Tada), o consumo desenfreado de moda pelo mundo tem gerado também uma doação desenfreada - e sem mais a quem assistir, grande parte dela acaba em aterros ou incineradores, provocando aquela treta ambiental já conhecida.

Aqui no blog, inclusive, abordei o tema em dois posts anteriores: sobre a indústria de cobertores de Panipat, na Índia, e sobre o desapego fashion da atriz americana Anne Hathaway.

Por isso, hoje, resolvi indicar outra maneira responsável de dar um fim às roupas que você não usa mais: trocá-las ou revendê-las. E, para tanto, testei o Tradr, app desenvolvido pela brasileira Jéssica Behrens, com apoio da Universidade de Harvard (acho chique) e lançado no ano passado. Disponível para iOS e Android, o aplicativo tem como objetivo ser o Tinder da economia colaborativa.

Ao abrir o Tradr no smartphone, você vê, logo de cara, uma pilha de fotos - só que não de gente, mas de produtos. Roupas, em sua maioria. Camisetas, calçados, calças, vestidos, blusas, acessórios... "Em busca de desafiar a lógica do descarte e da compra, o Tradr usa a troca como principal moeda", diz a equipe do app em seu blog. De fato, há vários itens disponíveis para troca, mas a maioria ainda está à venda. Dedos cruzados para que isso mude em breve.

Não gostou da peça? Deslize a imagem para a esquerda e vá para a próxima. Gostou? Deslize para a direita. Ao fazer isso, você automaticamente dá um 'like' no item e tem três opções: iniciar um chat com o vendedor (acertando detalhes da troca ou da venda); já comprar a peça (caso o sistema de pagamento esteja ativado - o que, por hora, é raro); ou guardar a imagem na sua lista de favoritos (para decidir sobre o produto mais tarde).

Aliás, é com a lista de favoritos e 'likes' que o app "aprende" a identificar o seu estilo e, a partir de então, passa a mostrar apenas itens próximos dele.

Ainda há filtros para quem procura categorias específicas (feminino, masculino, vintage, fashion, artesanato, livros, decoração, etc.) e um campo de busca para produtos e pessoas.



Dá para achar coisas bacanas (veja acima), mas com uma garimpada dedicada, até árdua (nada diferente do Tinder, não?). Eu, infelizmente, só curti itens à venda, encontrando poucos produtos legais para troca. Pena... Também a exemplo do aplicativo de namoro e pegação, topei com certas bizarrices, como uma máquina de escrever Olivetti Studio 45, um tênis que pisca, uma cadeira de escritório e até aqueles barris de Whey Protein. Não é Mercado Livre, tá, lindushos?

Para quem quer anunciar um produto, o funcionamento segue simples. Você pode tirar uma foto com o próprio app (ou escolher uma imagem guardada no seu celular) e aí basta selecionar as categorias em que o item entra, se você vai trocá-lo ou vendê-lo, estipular o preço (caso caiba) e postar. Rapidão.

Não pare de doar!

Sim, meus queridos, a experiência com o Tradr foi positiva e o app se mostra uma boa alternativa à doação de roupas - embora ainda careça de uma turbinada em oportunidades de trocas. Mas, não, não abandone a solidariedade. Não quero, de maneira alguma, desencorajar alguém a doar as sobras do guarda-roupa. O importante, acredito, é ser mais criterioso na hora de escolher a ONG ou as pessoas que receberão as peças, a fim de evitar o impacto ambiental citado lá em cima. Informe-se sobre o fim que elas terão e certifique-se de que não acabarão no lixo. Muitas entidades, por exemplo, usam as roupas para realizar bazares beneficentes. Ou seja, os itens recebidos são, de fato, reaproveitados.

E se a procura por doação responsável não prosperar, então, troque, venda... Apavora no Tradr, meu bem!

08/09/2016

7 looks de apego invencível

Hoje, dou meu braço a torcer. Apesar de pregar o desapego fashion neste segundo projeto do 365, em nome da sustentabilidade e da solidariedade, devo admitir: há itens do guarda-roupa cujo valor sentimental e/ou artístico supera qualquer apelo racional por um closet mais enxuto, prático e ambientalmente responsável. Você simplesmente não consegue se desfazer deles. Por isso, listo aqui alguns looks que, se estivessem no meu cabideiro, não sairiam dele por nada - nadica - neste mundo. E Dona Natureza e Nossa Senhora da Boa Ação que me perdoem.



1. Cowboy megafranjado de Alexandre Herchcovitch



2. Poncho modernoso da Y-3 (by Yohji Yamamoto)



3. Tricô com couro da Jil Sander



4. Gucci lacrador de Jared Leto


E se eu fosse mulé?



5. O Armani Privé laminado de Anne Hathaway



6. McQueen quebra-tudo de Michelle Obama



7. Marchesa zerando a moda de Kristen Stewart

01/09/2016

Vamos falar de armário-cápsula?



Qualquer ideia que incentive o consumo consciente e racional de roupas, inibindo a compra desvairada e impulsiva, ganha, obviamente, meu apoio, já que endossa os objetivos do Projeto Desapegão. E este é o caso da onda do capsule wardrobe, ou armário-cápsula, propagada mundialmente pela blogueira norte-americana Caroline Rector, do blog Unfancy.

Basicamente, a autora sugere que, a cada estação, você separe entre 30 e 40 peças do seu closet e vista apenas as selecionadas durante aqueles três meses. O restante do guarda-roupa vai para uma caixa - e os itens não eleitos nas próximas estações seguem para doação. Segundo Caroline, a prática tem duas metas principais: simplificar a vida e conter o impulso das compras.

"Dedico mais tempo e energia ao que realmente importa e menos tempo decidindo o que vestir, comprando e lavando roupa", disse a blogueira à revista 'Marie Claire' do México. Ela também revelou que, nos três meses em que o armário está 'engessado', consegue economizar US$ 500, usando o dinheiro para adquirir peças pontuais que formarão o armário da próxima estação.

Veja aqui como montar o seu armário-cápsula

Eu aplaudo e incentivo a ideia, como já disse. Mas tenho algumas ressalvas. Em primeiro lugar, acredito que limitar o número de itens entre 30 e 40 não funciona para todo mundo. Dependendo da sua profissão ou do seu cotidiano, pode ser uma imensidão ou um montinho irrisório. Se você trabalha em casa e sai pouco, certamente vai ter roupa sobrando no cabideiro. Já se o seu dia-a-dia pede um dress code social, mais elaborado e refinado, 40 itens não darão conta.

Outro ponto é a complexidade da missão a ser encarada de três em três meses. Haja disposição. Imagine-se desbravando o oceano fashion do seu closet a cada virada de estação, tendo de escolher até 40 peças que combinem facilmente entre si e ainda atendam aos requisitos de frio, calor, vento, chuva... Eu, ferrenho defensor de um guarda-roupa enxuto, não sei se conseguiria.

Talvez seja mais fácil enxugar o armário pensando na simples questão da usabilidade - ou focando um único estilo, como contei aqui. O casaco está intocável no cabide desde o último inverno? Não tem mais nada a ver com os seus looks atuais? Doe. Caso você precise de um passo-a-passo detalhado, de dicas menos abrangentes, então, a ideia do capsule wardrobe pode ser um bom começo.

O importante, lindushos, é desapegar. Sempre. :)