06/08/2016

Lição de desapego nas Olimpíadas



A preservação do meio ambiente deu o tom na linda cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, transmitida para bilhões de pessoas ao redor do mundo diretamente do Maracanã, nesta sexta-feira. História, cultura, música e celebrações tupiniquins, obviamente, estavam lá - e nem os maiores clichês à la 'Criança Esperança' deixaram de empolgar e emocionar. Mas a mensagem final foi mesmo da sustentabilidade, endossada por vídeos bem alarmantes, como o que mostrou a possível inundação de vários países caso as capotas polares da Terra comecem a derreter com o superaquecimento da atmosfera.

Defensor da Dona Natureza que sou, inclusive por conta do Projeto Desapegão, também me atentei a um momento talvez despercebido por muita gente - e superafinado com a segunda missão deste blog. Ao receber o prêmio Láurea Olímpica do Comitê Olímpico Internacional por seu trabalho social no Quênia, o ex-atleta Kipchoge Keino, ou Kip Keino, bicampeão olímpico em corridas, disse uma frase emblemática.



"Chegamos a esta vida sem nada e a deixamos sem nada", enfatizou, no vídeo que contou a sua trajetória e no discurso feito ao vivo. Não, não levaremos para o além medalhas, troféus, prêmios, dinheiro, casas, carros ou roupas de grife. Morreremos nus e sem posse alguma, frágeis e miseráveis, assim como viemos ao mundo. "O que, então, deixaremos aqui?", foi a pergunta que o queniano martelou nos meus neurônios. Qual será o nosso legado, afinal? Coisas?

Coisas para os outros cuidarem, se desfazerem, jogarem fora? Coisas que o tempo comerá? Coisas que simplesmente passarão?

Kip Keino não terá o seu maior valor reconhecido nas próprias medalhas de ouro, mas nas ações que construiu para, por meio da educação e do esporte, manter crianças do Quênia focadas no futuro. Do mesmo modo, você não terá as suas recordações mais preciosas refletidas nos carros que comprou ou nas roupas incríveis que vestiu. Seu principal patrimônio, acredite, estará em palavras, gestos, iniciativas, inspirações, ações... Nas coisas que fez, não nas que adquiriu.

Desapegue, então. Desabarrote o guarda-roupa. Limpe as gavetas. Simplifique a vida. Edifique uma nova consciência de consumo, de realização, satisfação. Deixe o seu legado na coragem de mudar regras e comportamentos para melhorar o caminho de quem vem logo atrás. Faça a sua vida valer um futuro - não coisas.