24/08/2016

Roupas e calçados são os itens que mais endividam os brasileiros, diz pesquisa



Se sustentabilidade não é um termo forte o suficiente para dar aquela freadénha no seu consumismo fashion, um dos focos do Projeto Desapegão, que tal pensar, então, em palavrões como "inadimplência" e "nome sujo"? Pois uma pesquisa nacional que acaba de ser divulgada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), feita em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), aponta os três maiores "culpados" pelo endividamento dos brasileiros neste ano: roupas, calçados e eletrodomésticos.

Sim, queridões. São itens de vestuário que têm levado mais consumidores à lista negra dos inadimplentes no Brasil. Só as roupas representam 45% do total de produtos e serviços adquiridos e não pagos, porcentagem elevada para 50,6% entre compradoras mulheres e 57,7% entre os desempregados. Calçados respondem por 25,8% e os eletrodomésticos, por 17,4%. Ainda segundo o levantamento, 11% dos endividados sequer se lembram dos itens que os endividaram.

Surreal, não?

“Podemos afirmar que há certo desequilíbrio por parte do consumidor. Embora alguns destes itens possam ser considerados de primeira necessidade, chegar à inadimplência por causa disso sugere que houve exagero ou falta de planejamento nas compras”, aponta o educador financeiro do SPC Brasil José Vignoli. “Para muitos brasileiros, é um desafio frear o ímpeto de ir às compras, mas precisamos considerar que a queda no poder de compra, neste momento, é generalizada. Todos, portanto, devem adotar cautela extra na gestão do orçamento mensal”, conclui Vignoli.

Saiba mais sobre a pesquisa aqui

E aí? Tá ou não tá na hora de desapegar?

22/08/2016

Acessorize-se!



No post anterior, dei algumas dicas de como usar a mesma camiseta em diferentes looks - incluindo um 'composê' completo de casamento. A ideia era mostrar que o consumo responsável pregado pelo Projeto Desapegão pode ser não apenas viável, mas também muito estiloso. Hoje, mantenho o foco e mudo apenas os elementos. Em vez de outras roupas, confira como mudar a cara de uma t-shirt combinando-a com acessórios: colares, anéis, cintos, pulseiras, lenços... Invista nos itens certos e tire vários 'visus' de uma única peça. Ó:



A camiseta basicona...



... ganha um riff de guitarra com colar e cinto de tachinhas...



... ou um ar moderninho e casual com lenço estampado, pulseira e anéis de metais variados.



Para a noite, vá de lenço curto de cetim, pulseira de couro grossa e um anel mais incrementado.

16/08/2016

Uma camiseta, três looks. Incluindo de casamento



A decisão de reformatar meu guarda-roupa inteiro (lembra?) veio acompanhada de outra um tanto radical (embora ainda experimental): abolir o uso de camisas, longas ou curtas. Doei quase todas entre as 50 peças retiradas em casa pelo Exército da Salvação, na semana passada. Agora, até quando der, pretendo vestir apenas camisetas, simplificando meu dia a dia, gastando menos energia (quem já encarou o ferro para passar uma camisa sabe o quanto a função é cansativa e pesa na conta de luz), freando o consumismo e evitando desperdícios, bem à moda do Projeto Desapegão.

Mas e quando surgirem eventos formais, que exigem colarinhos, botões e lapelas? Tipo um casamento? Dá para usar camiseta em casório? Mesmo correndo o risco de ser fuzilado pelos baluartes fashionísticos, eu digo que sim. E provo. Veja abaixo dicas de como vestir a mesma camiseta (da foto acima) em diferentes ocasiões, incluindo casamentos. Aliás, usei, de fato, o look indicado no enlace dos queridos amigos Felipe e Marcela, no último fim de semana. E não fiz feio, tá? ;)

PS: please, não reparem na precariedade das fotos, são todas de celular.



Para o rolezinho: sem segredo, né? Bermuda, tênis e voilà!



Para o trampo, um jantarzinho ou a balada: colete de veludo, pulseira de couro e jeans preto. Já pode ahazar.



Para o casamento: blazer e calça de brim mais ajustados e lenço de cetim para arrematar. Viu? Dá para ser ousado e apropriado ao mesmo tempo.

10/08/2016

Na reta final, o ponto vai para a solidariedade



Se a sustentabilidade dominou o primeiro semestre do Projeto Desapegão, já que o compromisso de passar 365 dias doando duas peças de roupas a cada nova adquirida (comprada ou recebida de presente) me inibiu de ensacolar qualquer indumentária, agora, faltando menos de três meses para o fim da missão, quem dá o tom é outro pilar da iniciativa: a solidariedade.

Na semana passada, decidi reconfigurar meu guarda-roupa inteiro, deixando nele apenas peças que convergiam para um único estilo (boa dica, aliás, para quem não sabe por onde começar na hora de se livrar dos excessos). Mantive só roupas escuras (pretas ou cinzas), de fácil combinação entre si, mais básicas e com uma pegada rock'n'roll. Obviamente, precisei repor algumas coisas, uma vez que parte do cabideiro não se encaixava no novo padrão.

O resultado do material separado para doação me surpreendeu: foram 50 peças, entre camisetas, calças, jaquetas, bolsas, bermudas, calçados, etc. (foto acima). Cinquenta! Juntei tudo e acionei o Exército da Salvação, que retirou a sacola gigantesca em casa, uma beleza - o trabalho dos caras é eficiente e atencioso, indico 100%.

Agora, somadas às 14 doadas até junho, as roupas saídas do projeto chegam a 64. E que o desapego continue rolando livre, leve, brejeiro e desimpedido até o fim da empreitada, em 5 de novembro!

06/08/2016

Lição de desapego nas Olimpíadas



A preservação do meio ambiente deu o tom na linda cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, transmitida para bilhões de pessoas ao redor do mundo diretamente do Maracanã, nesta sexta-feira. História, cultura, música e celebrações tupiniquins, obviamente, estavam lá - e nem os maiores clichês à la 'Criança Esperança' deixaram de empolgar e emocionar. Mas a mensagem final foi mesmo da sustentabilidade, endossada por vídeos bem alarmantes, como o que mostrou a possível inundação de vários países caso as capotas polares da Terra comecem a derreter com o superaquecimento da atmosfera.

Defensor da Dona Natureza que sou, inclusive por conta do Projeto Desapegão, também me atentei a um momento talvez despercebido por muita gente - e superafinado com a segunda missão deste blog. Ao receber o prêmio Láurea Olímpica do Comitê Olímpico Internacional por seu trabalho social no Quênia, o ex-atleta Kipchoge Keino, ou Kip Keino, bicampeão olímpico em corridas, disse uma frase emblemática.



"Chegamos a esta vida sem nada e a deixamos sem nada", enfatizou, no vídeo que contou a sua trajetória e no discurso feito ao vivo. Não, não levaremos para o além medalhas, troféus, prêmios, dinheiro, casas, carros ou roupas de grife. Morreremos nus e sem posse alguma, frágeis e miseráveis, assim como viemos ao mundo. "O que, então, deixaremos aqui?", foi a pergunta que o queniano martelou nos meus neurônios. Qual será o nosso legado, afinal? Coisas?

Coisas para os outros cuidarem, se desfazerem, jogarem fora? Coisas que o tempo comerá? Coisas que simplesmente passarão?

Kip Keino não terá o seu maior valor reconhecido nas próprias medalhas de ouro, mas nas ações que construiu para, por meio da educação e do esporte, manter crianças do Quênia focadas no futuro. Do mesmo modo, você não terá as suas recordações mais preciosas refletidas nos carros que comprou ou nas roupas incríveis que vestiu. Seu principal patrimônio, acredite, estará em palavras, gestos, iniciativas, inspirações, ações... Nas coisas que fez, não nas que adquiriu.

Desapegue, então. Desabarrote o guarda-roupa. Limpe as gavetas. Simplifique a vida. Edifique uma nova consciência de consumo, de realização, satisfação. Deixe o seu legado na coragem de mudar regras e comportamentos para melhorar o caminho de quem vem logo atrás. Faça a sua vida valer um futuro - não coisas.