26/12/2016

Comece 2017 pimpado no Orgulhão

Motivo #22

A gente colore os anos mais cinzas.



Motivo #23

Protagonizamos histórias que fazem qualquer ano começar bem. Este pastor californiano era homofóbico até o dia em que seu filho se revelou gay. O religioso, então, fundou um templo voltado à comunidade LGBT.

Motivo #24

Show de réveillon? Ivete Sangalo arrasa mesmo quando o assunto é cidadania. "Fico constrangida de ter que falar sobre aceitação aos gays. Não há o que questionar. Se meu filho, no futuro, falar que é gay, vou dizer 'que maravilha'", declarou a diva nesta entrevista.



Motivo #25

Se jogue em 2017 quebrando tabus. Brian Anderson, um dos mais importantes skatistas do mundo, saiu do armário em um minidocumentário produzido pelo site Vice Sports.

Motivo #26

No século 21, idade avançada não serve mais como desculpa para preconceito e mente atrasada. Chorei com esse relato:



Motivo #27

Não estamos à margem da História. O governo da Alemanha vai indenizar milhares de homens presos no país entre 1871 e 1994 (ou suas famílias) simplesmente por serem homossexuais. O valor das compensações chega a 30 milhões de euros.

Motivo #28

Temos o astro da NBA Jason Collins no nosso time.




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19/12/2016

Purpurina no seu Natal

Motivo #15

We help each other to #staystrong.



Motivo #16

Pediu prosperidade ao Papai Noel? Nos Estados Unidos, casais gays já possuem ganho anual conjunto maior do que os casais heterossexuais, segundo o Departamento do Tesouro americano.

Motivo #17

Pela primeira vez, a ONU nomeou um perito internacional de orientação sexual e identidade de gênero. Vitit Muntarbhorn acompanha e defende os direitos de gays, lésbicas e transgêneros que sofrem perseguições em todo o mundo.

Motivo #18

Por aqui, 2017 começa com novos prefeitos e vereadores. E, sim, nosso arco-íris está entre eles.



Motivo #19

Ainda procurando um lugar para ferver no Natal? O Rio de Janeiro foi eleito o melhor destino de praia LGBT da América Latina.

Motivo #20

Aliás, segundo a Organização Mundial do Turismo, o público gay injeta, anualmente, US$ 3 trilhões no mercado de viagens.

Motivo #21

Temos Steve Grand no nosso time.




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12/12/2016

Sete pílulas de orgulho, uma para cada dia da sua semana. E bora bater esse picumã

Motivo #8

We are fabulous.



Motivo #9

O potencial de compras da comunidade LGBT no Brasil é de R$ 419 bilhões, valor equivalente a 10% do PIB.

Motivo #10

Somos uma força olímpica.



Motivo #11

Até a DC Comics tirou um herói do armário: Lanterna Verde.

Motivo #12

Contamos com o apoio, a lucidez e o prestígio de Dráuzio Varella.



Motivo #13

A maior parada LGBT do planeta é made in Brazil e acontece todos os anos na cidade de São Paulo.

Motivo #14

Temos Ellen e Portia no nosso time.

05/12/2016

Projeto 3 (ou Orgulhão): day one

Inspirado pela lindíssima campanha #ProudToBe, do YouTube, lançada no dia 21 de junho, decidi focar o terceiro projeto do 365, que começa hoje, em tudo aquilo que torna a comunidade LGBT ao redor do planeta única e preciosa.



Assim, me comprometo a passar os próximos 365 dias listando 365 motivos para nos orgulharmos - diariamente - de ser quem somos. Como não pretendo enfadar a audiência querida, farei só um post semanal, sempre às segundas-feiras, contendo 7 motivos, que funcionarão como pílulas de encorajamento, amparo e purpurina, uma para cada dia da semana.

Você pode colaborar com o Projeto Orgulhão enviando dicas, acompanhando o blog, espalhando a nossa mensagem. Mostremos ao mundo que ninguém vai nos levar de volta ao armário, porque nós conhecemos - de sobra - o nosso valor.

When identity is questioned answer with pride. Now more than erver #ProudToBe

Motivo #1

Somos fortes como poucos. Lutamos e resistimos. Não há violência - ou Trump - que nos cale.



Motivo #2

Diamantes my ass. Os melhores amigos de uma mulher são os gays.

Motivo #3

Temos uma campanha da ONU só para a gente. A 'Livres & Iguais' foi criada pelo Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Conheça!



Motivo #4

Filhos de casais homossexuais crescem mais saudáveis e mais felizes, diz esta pesquisa da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Motivo #5

Nosso santo é forte - e vingativo.



Motivo #6

Contamos com o apoio de gente poderosa e inspiradora como Barack Obama.

Motivo #7

E ainda temos Matt Bomer no nosso time.

05/11/2016

Projeto 2: concluído



Armário enxugado e vida simplificada, lindushos. Hoje, 5 de novembro de 2016, acaba, enfim, o Projeto Desapegão, a segunda missão solidária deste blog. Durante os últimos 365 dias, doei duas peças de roupas a cada nova adquirida, comprada ou recebida de presente. E o resultado está bem ilustrado nas fotos acima: a primeira, tirada logo no início da empreitada (em 5 de novembro de 2015), mostra os excessos que meu cabideiro perdeu ao longo do projeto, dando espaço ao... espaço. Se antes ele era quase inexistente, agora, sobra, como prova a segunda imagem.

Junto ao desapego, vieram várias outras lições fundamentais (listei as principais neste post) e um número de doações surpreendente: ao todo, foram 74 peças de roupas entregues a três entidades beneficentes e à Dedé, heroína do meu lar.

O Desapegão ainda rendeu 42 posts aqui no site e teve a adesão preciosa de nove parceiros: Ana Paula Carvalho, Camila Kzan, Sérgio Oyama Júnior, Lia Rizzo, Emilia Ohara, Keiko Oyama, Carolina Hanashiro, Leonardo Chiarini e Rafael Persan. Estes três últimos, inclusive, escreveram como autores convidados do 365 - lindeza sem fim e uma grande honra para mim.

Aos parceiros e leitores, aquele chamego e um obrigado infinito! Sem vocês, certamente, eu não teria chegado até aqui com tamanha motivação - e tanta energia para começar o próximo projeto. Que, aliás, já tem data para começar: 5 de dezembro (saiba mais aqui).

Nos vemos lá? Seguimos juntos? É nóis então! Inté! :)

27/10/2016

O que eu aprendi com o Desapegão

- Dá, sim, para ter estilo sem ostentar um closet abarrotado e cheirando a mofo.

- A decisão de doar duas vestimentas a cada nova adquirida carrega um santo poder de frear o consumismo. Aleluia.

- Ter menos coisas areja o armário e a vida.

- Nosso maior patrimônio está no que fazemos para os outros, não no que guardamos em casa.

- Doação de roupas é um ato solidário, mas nem sempre sustentável. Muitos donativos vão parar no lixo, virando um problema ambiental.

- Por isso, antes de doar, cheque: que fim terão as peças? Serão de fato usadas ou acabarão nos aterros?

- Algumas entidades revendem as roupas em bazares beneficentes. Aposte nelas.

- Outra maneira ambientalmente responsável de esvaziar o armário é trocar ou vender seus excessos.

- Customizar aquelas velharias pode acabar em desastres. Mas vale a pena arriscar.

- Ninguém precisa seguir regras para treinar o desapego. Pense no que de fato você usa (ou tem valor) e doe o resto.

- Consumo consciente e economia colaborativa não são meras pentelhações deste blogueiro idealista, mas tendências mundiais.

- Desapegar contagia, como bem disse a parceira Carol Hanashiro. E pode abranger facilmente outras áreas da sua vida.

- Eu comecei com roupas e acessórios. Depois, foi a vez de livros, CDs, álbuns, revistas, materiais esportivos, caixas e caixas de tranqueiras. Hoje, minha vida cabe em um armário.

20/10/2016

'O projeto me deu a oportunidade de ser um participante ativo da mudança'



Por Leonardo Chiarini*

Bom, eu sou suspeito em dizer o quanto admiro o criador deste blog e do Projeto Desapegão. Ao longo destes 10 anos da privilegiada companhia do Má, aprendi com ele, de várias formas, a ser uma pessoa melhor. E principalmente melhor no sentido (bom) da palavra caridade: olhar para as mazelas que nos cercam e AGIR! Tomar consciência de que há meios sim de fazermos algo para mudar este cenário de desequilíbrio no qual nos encontramos.

O Projeto Desapegão me deu a oportunidade de ser um participante ativo neste sentido (já que o outro projeto envolvia doação de cabelo. Deixar o cabelo crescer, digamos, não é minha praia). No início, confesso que o fato de ter que doar duas peças ao comprar uma me incitou ainda mais o consumismo: comecei a observar que tinha tanta coisa que não usava mais que faria sentido eu trocar todo meu guarda roupa!

Mas esta fase passou e, apesar da minha organização precária em controlar as roupas que entravam e as que tinham que sair, computo uma doação superior a 30 peças. Nem o fato de ter doado por distração um tênis recém-comprado ao invés do velho que este substituiria me fez repensar em seguir em frente.

Quero continuar me inspirando por esta vontade incessante do Má em fazer o bem, olhar a vida de uma maneira mais clean e saber que dela partimos deixando apenas o amor que doamos aos outros. E que venha o próximo projeto, Má, já pode contar comigo! ;)


* Leonardo Chiarini é parceiro de Desapegão, parceiro da vida e pessoa essencial. Hoje, escreve como o terceiro autor convidado do 365

13/10/2016

A última doação



Foi com um nozinho na garganta - e um certo alívio, devo confessar - que realizei a ação derradeira do Projeto Desapegão, há duas semanas. Entreguei 10 peças de roupas (veja na foto) para a Liga Solidária (uma das entidades beneficentes indicadas neste post), finalizando as doações da missão, já que não comprarei mais nada até o fim dela, daqui a 24 dias (sim, minha grana evaporou).

Confira também:

A primeira doação, em janeiro
A segunda, em junho
A terceira, em agosto

Ao todo, doei 74 peças desde o início do projeto, em 5 de novembro de 2015. Nesta última vez, entretanto, tive o cuidado de verificar com a entidade escolhida qual seria o destino das roupas, para me certificar de que não acabariam descartadas caso sobrassem, causando os danos ambientais tão abordados aqui.

"Márcio, fique tranquilo, não descartamos nada", foi a resposta de Sudária Emília Bertolino, do Desenvolvimento Institucional da Liga Solidária. "Em março, inauguramos o nosso bazar e ele tem nos ajudado muito. Toda a renda é revertida para as 18 unidades sociais da Liga. Realizamos uma triagem com as doações e as que não conseguimos vender vão para as comunidades do entorno das unidades", explicou. Assim fica tudo lindo, né?

Ah, e não pense que o segundo projeto do 365 acaba aqui. Ainda há novos posts e informações a caminho - e ainda dá tempo de desapegar. ;) A missão, só lembrando, acaba no dia 5 de novembro.

05/10/2016

Projeto 3 à vista!



É, queridões. O Projeto Desapegão já começa a dizer adeus. Hoje, minha missão de passar 365 dias doando duas peças de roupas a cada nova adquirida (comprada ou recebida de presente) entra em seu último mês. Vejam vocês. Para mim, passou rapidaço. Mesmo. Mas, calminha. Vou fazer o balanço desta segunda empreitada do 365 a partir do próximo post.

Hoje, para que ninguém ache que o blog morrerá após o fim do Desapegão, venho dar uma palhinha do Projeto 3, já definido e ansiando para ganhar vida. Sim, ele existe e tem nome: Orgulhão. O foco, desta vez, será a comunidade LGBT, da qual faço parte e sinto, na pele, como ela precisa se enxergar forte, decente, merecedora de respeito e representatividade.

Não entrarei em outros detalhes para não arruinar a surpresa, ok? Só adianto que o Projeto Orgulhão foi inspirado na campanha #ProudToBe, lançada pelo YouTube em junho deste ano:



When identity is questioned answer with pride. Now more than erver #ProudToBe

Amém? Então, espero vocês aqui no lançamento do projeto - o terceiro deste blog -, no dia 5 de dezembro! :) E, até lá, please, não se esqueçam: desapegai-vos.

29/09/2016

Bombe o seu gasto responsável com o aplicativo Moda Livre



Além de levar em conta sustentabilidade e solidariedade - mantras do Projeto Desapegão -, o consumo consciente de vestuário também pode ser adotado tendo como base outra questão séria e urgente: o combate ao trabalho escravo. Referência no assunto, a ONG Repórter Brasil diz que, nos últimos 10 anos, centenas de pessoas (sobretudo imigrantes sul-americanos) já foram encontradas no país produzindo roupas em situação de escravidão, principalmente na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo.

Pior: muitas das oficinas de costura autuadas forneciam peças para grandes grifes e magazines, daqueles onipresentes nos shoppings.

Saiba mais sobre o trabalho da Repórter Brasil neste video

Procurando ajudar o consumidor a se informar sobre o tema, a entidade lançou o aplicativo Moda Livre (disponível para iOS e Android), que monitora a política trabalhista de cerca de 80 grifes e varejistas (obrigado pela dica, Angélica Sales, sua linda!). Ao abrir o app, você vê as marcas dispostas em ordem alfabética e as avaliações de cada uma.

Há três tipos: Melhor Avaliação (empresas que possuem mecanismos de acompanhamento da cadeia produtiva e histórico favorável em relação ao assunto); Avaliação Intermediária (empresas que, apesar de acompanharem a cadeia, precisam melhorar os mecanismos e/ou possuem histórico desfavorável em casos de trabalho escravo); e Pior Avaliação (não monitoram a produção e têm histórico desfavorável ou não responderam às perguntas da ONG).



Clicando em cada marca, você ainda acessa detalhes da avaliação e o questionário respondido (ou não) pela empresa, na íntegra. Notícias e explicações sobre escravidão, o método empregado no aplicativo e a atuação da Repórter Brasil completam os serviços do Moda Livre.

Baixe o app, turbine o seu Desapegão ou, se a sede consumista for imbatível, pelo menos ensacole roupas despidas do trabalho escravo.

22/09/2016

Descarte, sim. Como um japonês



Quando o primo Reinaldo Simizu me indicou o livro 'A Mágica da Arrumação' (valeu, Rei!), best-seller mundial da japonesa Marie Kondo, lançado no Brasil em 2015, fui logo checar a abordagem da autora em relação ao desapego. De fato, para ensinar a organizar sua casa (e sua vida), Marie não cai no senso comum do "livre-se de tudo o que está sem uso há um ano"; ela trabalha a relação emocional que você mantém com cada objeto, incluindo roupas, calçados e acessórios - os alvos do Projeto Desapegão. Se a peça te traz alegria, diz o livro, guarde-o. Se não, descarte-o.

A princípio, entretanto, me pareceu um pouco irresponsável exatamente o uso do "descarte", do "jogue fora" e do "vai para o lixo" desprovido de qualquer viés sustentável. Afinal, estamos em tempos de simplificar a vida e nos livrar dos excessos, mas sem maltratar ainda mais nosso judiado meio ambiente (um dos temas, aliás, do post anterior). Não dá para sair jogando fora tudo aquilo que não nos faz feliz, né? Precisamos pensar no impacto ambiental do nosso desapego, considerando ações tão defendidas aqui: doação, troca, reciclagem...

A doação até surge em alguns momentos do livro, meio tímida. Reciclagem? Descarte ambientalmente responsável? Nada. Nadica.

Mas aí me veio um insight que, espero, pode explicar a ausência da abordagem ecossocial no "desfazer-se" de Marie Kondo: a autora vem do Japão. E o arquipélago - onde morei por um ano e meio - lacra quando o assunto é tratamento de lixo. Lá, meus caros, não tem essa de deixar o entulho indesejado na calçada e a limpeza pública que se vire. Você responde pelos seus próprios detritos. E deve aprender a separá-los, armazená-los e descartá-los, seguindo um protocolo extenso e rígido, sob pena de multa caso o descumpra.

Há regras, dias, locais e horários específicos para cada tipo de lixo - orgânico, papel, vidro, metal, roupas, aparelhos eletrônicos, revistas, etc. Quando o bagulho é grande, o cidadão ainda deve pagar para se livrar dele. Sim, senhor. E não pense que o 'migué' brasileiro funciona: todos os bairros contam com moradores-fiscais, que monitoram os pontos de coleta. Certa vez, me fiz de desentendido e joguei o lixo no dia errado; quando voltei para casa, ele estava na minha porta, com um bilhetinho do fiscal, deixando claro que só não fui multado porque era novo no bairro. Delícia, não?

Saiba mais sobre o descarte de lixo à japonesa neste post do blog Perdida no Japão, escrito por Thais Fioruci

Assim, meus queridos, acredito (ou quero acreditar) na ingenuidade de Marie Kondo em relação aos termos "descartar" e "jogar fora" além-Japão. Se para nós eles soam simplesmente como "tirar da frente", para Marie, já vêm embebidos na responsabilidade ambiental aplicada todo santo dia em sua terra-natal - e, portanto, óbvia demais para ser explicada no livro. "Descarte", na cabeça da autora, é (e sempre foi) sinônimo de sustentabilidade.

Ao ler a obra, please, pense e aja como um japonês. Arigatô.

15/09/2016

Testei o Tradr. Conhece? É uma espécie de Tinder da economia colaborativa



Mesmo compondo a base do Projeto Desapegão, preciso alertar: a doação de roupas, apesar de solidária, nem sempre é sustentável. Segundo esta reportagem da 'Newsweek' (indicada pela querida amiga Chiaki Karen Tada), o consumo desenfreado de moda pelo mundo tem gerado também uma doação desenfreada - e sem mais a quem assistir, grande parte dela acaba em aterros ou incineradores, provocando aquela treta ambiental já conhecida.

Aqui no blog, inclusive, abordei o tema em dois posts anteriores: sobre a indústria de cobertores de Panipat, na Índia, e sobre o desapego fashion da atriz americana Anne Hathaway.

Por isso, hoje, resolvi indicar outra maneira responsável de dar um fim às roupas que você não usa mais: trocá-las ou revendê-las. E, para tanto, testei o Tradr, app desenvolvido pela brasileira Jéssica Behrens, com apoio da Universidade de Harvard (acho chique) e lançado no ano passado. Disponível para iOS e Android, o aplicativo tem como objetivo ser o Tinder da economia colaborativa.

Ao abrir o Tradr no smartphone, você vê, logo de cara, uma pilha de fotos - só que não de gente, mas de produtos. Roupas, em sua maioria. Camisetas, calçados, calças, vestidos, blusas, acessórios... "Em busca de desafiar a lógica do descarte e da compra, o Tradr usa a troca como principal moeda", diz a equipe do app em seu blog. De fato, há vários itens disponíveis para troca, mas a maioria ainda está à venda. Dedos cruzados para que isso mude em breve.

Não gostou da peça? Deslize a imagem para a esquerda e vá para a próxima. Gostou? Deslize para a direita. Ao fazer isso, você automaticamente dá um 'like' no item e tem três opções: iniciar um chat com o vendedor (acertando detalhes da troca ou da venda); já comprar a peça (caso o sistema de pagamento esteja ativado - o que, por hora, é raro); ou guardar a imagem na sua lista de favoritos (para decidir sobre o produto mais tarde).

Aliás, é com a lista de favoritos e 'likes' que o app "aprende" a identificar o seu estilo e, a partir de então, passa a mostrar apenas itens próximos dele.

Ainda há filtros para quem procura categorias específicas (feminino, masculino, vintage, fashion, artesanato, livros, decoração, etc.) e um campo de busca para produtos e pessoas.



Dá para achar coisas bacanas (veja acima), mas com uma garimpada dedicada, até árdua (nada diferente do Tinder, não?). Eu, infelizmente, só curti itens à venda, encontrando poucos produtos legais para troca. Pena... Também a exemplo do aplicativo de namoro e pegação, topei com certas bizarrices, como uma máquina de escrever Olivetti Studio 45, um tênis que pisca, uma cadeira de escritório e até aqueles barris de Whey Protein. Não é Mercado Livre, tá, lindushos?

Para quem quer anunciar um produto, o funcionamento segue simples. Você pode tirar uma foto com o próprio app (ou escolher uma imagem guardada no seu celular) e aí basta selecionar as categorias em que o item entra, se você vai trocá-lo ou vendê-lo, estipular o preço (caso caiba) e postar. Rapidão.

Não pare de doar!

Sim, meus queridos, a experiência com o Tradr foi positiva e o app se mostra uma boa alternativa à doação de roupas - embora ainda careça de uma turbinada em oportunidades de trocas. Mas, não, não abandone a solidariedade. Não quero, de maneira alguma, desencorajar alguém a doar as sobras do guarda-roupa. O importante, acredito, é ser mais criterioso na hora de escolher a ONG ou as pessoas que receberão as peças, a fim de evitar o impacto ambiental citado lá em cima. Informe-se sobre o fim que elas terão e certifique-se de que não acabarão no lixo. Muitas entidades, por exemplo, usam as roupas para realizar bazares beneficentes. Ou seja, os itens recebidos são, de fato, reaproveitados.

E se a procura por doação responsável não prosperar, então, troque, venda... Apavora no Tradr, meu bem!

08/09/2016

7 looks de apego invencível

Hoje, dou meu braço a torcer. Apesar de pregar o desapego fashion neste segundo projeto do 365, em nome da sustentabilidade e da solidariedade, devo admitir: há itens do guarda-roupa cujo valor sentimental e/ou artístico supera qualquer apelo racional por um closet mais enxuto, prático e ambientalmente responsável. Você simplesmente não consegue se desfazer deles. Por isso, listo aqui alguns looks que, se estivessem no meu cabideiro, não sairiam dele por nada - nadica - neste mundo. E Dona Natureza e Nossa Senhora da Boa Ação que me perdoem.



1. Cowboy megafranjado de Alexandre Herchcovitch



2. Poncho modernoso da Y-3 (by Yohji Yamamoto)



3. Tricô com couro da Jil Sander



4. Gucci lacrador de Jared Leto


E se eu fosse mulé?



5. O Armani Privé laminado de Anne Hathaway



6. McQueen quebra-tudo de Michelle Obama



7. Marchesa zerando a moda de Kristen Stewart

01/09/2016

Vamos falar de armário-cápsula?



Qualquer ideia que incentive o consumo consciente e racional de roupas, inibindo a compra desvairada e impulsiva, ganha, obviamente, meu apoio, já que endossa os objetivos do Projeto Desapegão. E este é o caso da onda do capsule wardrobe, ou armário-cápsula, propagada mundialmente pela blogueira norte-americana Caroline Rector, do blog Unfancy.

Basicamente, a autora sugere que, a cada estação, você separe entre 30 e 40 peças do seu closet e vista apenas as selecionadas durante aqueles três meses. O restante do guarda-roupa vai para uma caixa - e os itens não eleitos nas próximas estações seguem para doação. Segundo Caroline, a prática tem duas metas principais: simplificar a vida e conter o impulso das compras.

"Dedico mais tempo e energia ao que realmente importa e menos tempo decidindo o que vestir, comprando e lavando roupa", disse a blogueira à revista 'Marie Claire' do México. Ela também revelou que, nos três meses em que o armário está 'engessado', consegue economizar US$ 500, usando o dinheiro para adquirir peças pontuais que formarão o armário da próxima estação.

Veja aqui como montar o seu armário-cápsula

Eu aplaudo e incentivo a ideia, como já disse. Mas tenho algumas ressalvas. Em primeiro lugar, acredito que limitar o número de itens entre 30 e 40 não funciona para todo mundo. Dependendo da sua profissão ou do seu cotidiano, pode ser uma imensidão ou um montinho irrisório. Se você trabalha em casa e sai pouco, certamente vai ter roupa sobrando no cabideiro. Já se o seu dia-a-dia pede um dress code social, mais elaborado e refinado, 40 itens não darão conta.

Outro ponto é a complexidade da missão a ser encarada de três em três meses. Haja disposição. Imagine-se desbravando o oceano fashion do seu closet a cada virada de estação, tendo de escolher até 40 peças que combinem facilmente entre si e ainda atendam aos requisitos de frio, calor, vento, chuva... Eu, ferrenho defensor de um guarda-roupa enxuto, não sei se conseguiria.

Talvez seja mais fácil enxugar o armário pensando na simples questão da usabilidade - ou focando um único estilo, como contei aqui. O casaco está intocável no cabide desde o último inverno? Não tem mais nada a ver com os seus looks atuais? Doe. Caso você precise de um passo-a-passo detalhado, de dicas menos abrangentes, então, a ideia do capsule wardrobe pode ser um bom começo.

O importante, lindushos, é desapegar. Sempre. :)

24/08/2016

Roupas e calçados são os itens que mais endividam os brasileiros, diz pesquisa



Se sustentabilidade não é um termo forte o suficiente para dar aquela freadénha no seu consumismo fashion, um dos focos do Projeto Desapegão, que tal pensar, então, em palavrões como "inadimplência" e "nome sujo"? Pois uma pesquisa nacional que acaba de ser divulgada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), feita em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), aponta os três maiores "culpados" pelo endividamento dos brasileiros neste ano: roupas, calçados e eletrodomésticos.

Sim, queridões. São itens de vestuário que têm levado mais consumidores à lista negra dos inadimplentes no Brasil. Só as roupas representam 45% do total de produtos e serviços adquiridos e não pagos, porcentagem elevada para 50,6% entre compradoras mulheres e 57,7% entre os desempregados. Calçados respondem por 25,8% e os eletrodomésticos, por 17,4%. Ainda segundo o levantamento, 11% dos endividados sequer se lembram dos itens que os endividaram.

Surreal, não?

“Podemos afirmar que há certo desequilíbrio por parte do consumidor. Embora alguns destes itens possam ser considerados de primeira necessidade, chegar à inadimplência por causa disso sugere que houve exagero ou falta de planejamento nas compras”, aponta o educador financeiro do SPC Brasil José Vignoli. “Para muitos brasileiros, é um desafio frear o ímpeto de ir às compras, mas precisamos considerar que a queda no poder de compra, neste momento, é generalizada. Todos, portanto, devem adotar cautela extra na gestão do orçamento mensal”, conclui Vignoli.

Saiba mais sobre a pesquisa aqui

E aí? Tá ou não tá na hora de desapegar?

22/08/2016

Acessorize-se!



No post anterior, dei algumas dicas de como usar a mesma camiseta em diferentes looks - incluindo um 'composê' completo de casamento. A ideia era mostrar que o consumo responsável pregado pelo Projeto Desapegão pode ser não apenas viável, mas também muito estiloso. Hoje, mantenho o foco e mudo apenas os elementos. Em vez de outras roupas, confira como mudar a cara de uma t-shirt combinando-a com acessórios: colares, anéis, cintos, pulseiras, lenços... Invista nos itens certos e tire vários 'visus' de uma única peça. Ó:



A camiseta basicona...



... ganha um riff de guitarra com colar e cinto de tachinhas...



... ou um ar moderninho e casual com lenço estampado, pulseira e anéis de metais variados.



Para a noite, vá de lenço curto de cetim, pulseira de couro grossa e um anel mais incrementado.

16/08/2016

Uma camiseta, três looks. Incluindo de casamento



A decisão de reformatar meu guarda-roupa inteiro (lembra?) veio acompanhada de outra um tanto radical (embora ainda experimental): abolir o uso de camisas, longas ou curtas. Doei quase todas entre as 50 peças retiradas em casa pelo Exército da Salvação, na semana passada. Agora, até quando der, pretendo vestir apenas camisetas, simplificando meu dia a dia, gastando menos energia (quem já encarou o ferro para passar uma camisa sabe o quanto a função é cansativa e pesa na conta de luz), freando o consumismo e evitando desperdícios, bem à moda do Projeto Desapegão.

Mas e quando surgirem eventos formais, que exigem colarinhos, botões e lapelas? Tipo um casamento? Dá para usar camiseta em casório? Mesmo correndo o risco de ser fuzilado pelos baluartes fashionísticos, eu digo que sim. E provo. Veja abaixo dicas de como vestir a mesma camiseta (da foto acima) em diferentes ocasiões, incluindo casamentos. Aliás, usei, de fato, o look indicado no enlace dos queridos amigos Felipe e Marcela, no último fim de semana. E não fiz feio, tá? ;)

PS: please, não reparem na precariedade das fotos, são todas de celular.



Para o rolezinho: sem segredo, né? Bermuda, tênis e voilà!



Para o trampo, um jantarzinho ou a balada: colete de veludo, pulseira de couro e jeans preto. Já pode ahazar.



Para o casamento: blazer e calça de brim mais ajustados e lenço de cetim para arrematar. Viu? Dá para ser ousado e apropriado ao mesmo tempo.

10/08/2016

Na reta final, o ponto vai para a solidariedade



Se a sustentabilidade dominou o primeiro semestre do Projeto Desapegão, já que o compromisso de passar 365 dias doando duas peças de roupas a cada nova adquirida (comprada ou recebida de presente) me inibiu de ensacolar qualquer indumentária, agora, faltando menos de três meses para o fim da missão, quem dá o tom é outro pilar da iniciativa: a solidariedade.

Na semana passada, decidi reconfigurar meu guarda-roupa inteiro, deixando nele apenas peças que convergiam para um único estilo (boa dica, aliás, para quem não sabe por onde começar na hora de se livrar dos excessos). Mantive só roupas escuras (pretas ou cinzas), de fácil combinação entre si, mais básicas e com uma pegada rock'n'roll. Obviamente, precisei repor algumas coisas, uma vez que parte do cabideiro não se encaixava no novo padrão.

O resultado do material separado para doação me surpreendeu: foram 50 peças, entre camisetas, calças, jaquetas, bolsas, bermudas, calçados, etc. (foto acima). Cinquenta! Juntei tudo e acionei o Exército da Salvação, que retirou a sacola gigantesca em casa, uma beleza - o trabalho dos caras é eficiente e atencioso, indico 100%.

Agora, somadas às 14 doadas até junho, as roupas saídas do projeto chegam a 64. E que o desapego continue rolando livre, leve, brejeiro e desimpedido até o fim da empreitada, em 5 de novembro!

06/08/2016

Lição de desapego nas Olimpíadas



A preservação do meio ambiente deu o tom na linda cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, transmitida para bilhões de pessoas ao redor do mundo diretamente do Maracanã, nesta sexta-feira. História, cultura, música e celebrações tupiniquins, obviamente, estavam lá - e nem os maiores clichês à la 'Criança Esperança' deixaram de empolgar e emocionar. Mas a mensagem final foi mesmo da sustentabilidade, endossada por vídeos bem alarmantes, como o que mostrou a possível inundação de vários países caso as capotas polares da Terra comecem a derreter com o superaquecimento da atmosfera.

Defensor da Dona Natureza que sou, inclusive por conta do Projeto Desapegão, também me atentei a um momento talvez despercebido por muita gente - e superafinado com a segunda missão deste blog. Ao receber o prêmio Láurea Olímpica do Comitê Olímpico Internacional por seu trabalho social no Quênia, o ex-atleta Kipchoge Keino, ou Kip Keino, bicampeão olímpico em corridas, disse uma frase emblemática.



"Chegamos a esta vida sem nada e a deixamos sem nada", enfatizou, no vídeo que contou a sua trajetória e no discurso feito ao vivo. Não, não levaremos para o além medalhas, troféus, prêmios, dinheiro, casas, carros ou roupas de grife. Morreremos nus e sem posse alguma, frágeis e miseráveis, assim como viemos ao mundo. "O que, então, deixaremos aqui?", foi a pergunta que o queniano martelou nos meus neurônios. Qual será o nosso legado, afinal? Coisas?

Coisas para os outros cuidarem, se desfazerem, jogarem fora? Coisas que o tempo comerá? Coisas que simplesmente passarão?

Kip Keino não terá o seu maior valor reconhecido nas próprias medalhas de ouro, mas nas ações que construiu para, por meio da educação e do esporte, manter crianças do Quênia focadas no futuro. Do mesmo modo, você não terá as suas recordações mais preciosas refletidas nos carros que comprou ou nas roupas incríveis que vestiu. Seu principal patrimônio, acredite, estará em palavras, gestos, iniciativas, inspirações, ações... Nas coisas que fez, não nas que adquiriu.

Desapegue, então. Desabarrote o guarda-roupa. Limpe as gavetas. Simplifique a vida. Edifique uma nova consciência de consumo, de realização, satisfação. Deixe o seu legado na coragem de mudar regras e comportamentos para melhorar o caminho de quem vem logo atrás. Faça a sua vida valer um futuro - não coisas.

18/07/2016

Não compre roupas. Compre livros



Também achei a dica meio besta quando pensei nela. Mas não é que funcionou? Investir em novos books ao invés de novos looks pode ser mais prazeroso do que você imagina - e a iniciativa ainda traz o freio sustentável do Desapegão.

Aconteceu comigo na semana passada. Num dia meio à toa (por hora, sou desses), fui tomado pela sede de consumo fashion e, sem hesitar, saí atrás de algo para vestir. Mas aí veio a culpa e me deu um belo chute no traseiro. De fato, no catálogo das minhas roupas, não faltava nada. Comecei a pensar então em algo verdadeiramente útil - porém, igualmente agradável - para adquirir. Não foi difícil chegar aos livros.

Em vez de uma camiseta, um cinto ou uma calça, ensacolei o clássico 'Mrs. Dalloway', de Virginia Woolf, traduzido por Mario Quintana. Que comprão, meus caros! Devorei a obra em três dias e até escrevi um textinho inspirado nela. Nunca me alegrei tanto de ter trocado uma compra por outra.

Não exibirei um modelito novo àzamigue, mas ao menos o papo com o povo será muito, muito melhor.

Quer mais dicas de looks para enfeitar o cérebro? Alguns amigões acabaram de lançar livros e eu os recomendo sorrindo. Marco Bezzi e Daniel Fernandes escreveram 'Como o rock pode ajudar você a empreender' - o nome diz tudo (e também quero descobrir); já Gilberto Amendola reuniu suas crônicas mais bacanas em 'Corações de mentira não pagam aluguel' (delícia pura!); por fim, Joana Zylbersztajn publicou 'A laicidade do Estado brasileiro', fruto da tese de doutorado que ela defendeu na USP e ótima referência para quem quer qualificar a discussão (tão atual e fundamental).

Agora, é só você ahazar.

12/07/2016

Cinco maneiras de fazer o seu guarda-roupa durar mais

Consumir menos, como prega o Desapegão, requer conservar mais. Afinal, quanto maior for a durabilidade das suas roupas, menores serão as idas ao shopping (e as desculpas) para repô-las. Quer saber, então, como prolongar a saúde dos mimos que você guarda no closet? O site Real Men Real Style fez um vídeo com cinco sugestões úteis e bem práticas. Algumas, inclusive, eu já adoto há algum tempo. Para quem não domina o inglês, deixei as dicas resumidas logo depois. Confira:



Veja as sugestões tiradas do vídeo (em tradução e edição livres):

1. Não exagere na lavagem

Se você vestir uma peça apenas uma vez, sem suar demais ou sujá-la, não jogue-a na máquina de lavar. Dá para usá-la de novo. A regra é especialmente válida para calças, blusas e jaquetas. Como os agentes químicos do sabão e do amaciante (além da ação da própria máquina) vão diminuindo a vida útil das roupas, tente lavá-las o mínimo possível. Obviamente, a dica se anula no caso de underwears.

2. Não exagere na secadora

O movimento intenso das peças dentro do aparelho pode danificá-las (alargando golas e mangas, por exemplo) e o calor, vez ou outra, faz as roupas encolherem. O uso frequente da máquina também vai desgastando os fios, tirando a sua durabilidade.

3. Cuidado com o ferro de passar

Controle a temperatura do aparelho antes de colocá-lo sobre a roupa, evitando queimaduras. Verifique qual é a "quentura" indicada para cada tipo de tecido - e se ele for 50% algodão e 50% poliéster, use a temperatura de poliéster. Não identificou o tecido? Comece com o calor mais baixo. Também procure utilizar ferros bons, de base sólida (com saídas de vapor) e níveis de temperatura confiáveis. Uma alternativa aos ferros está nos vaporizadores, que oferecem menos riscos de danos por serem menos quentes. Só tome cuidado no caso de jaquetas e blazers - o vapor pode deformar as peças.

4. Faça os consertos logo

Caiu um botão? Apareceu um furo? Tome as providências rapidamente. Costure ou mande a roupa para um profissional. Não procrastine. Quanto mais tempo você levar para resolver os problemas, maiores eles ficarão - e mais caros também.

5. Livre-se das manchas ASAP

Outro caso em que procrastinação vira prejuízo. Manchas de molho barbecue, catchup, mostarda, vinho e afins entram nas fibras dos tecidos e, com o tempo, vão ficando impossíveis de serem removidas. Portanto, assim que a mancha ocorrer, dê-lhe um banho de água fria, tirando o máximo de resíduo possível. Se você estiver em casa, use um removedor e depois lave a peça. Atenção: nunca exponha a mancha ao calor ou à pressão.

08/07/2016

'Desapegar é contagiante. Consumir de forma mais consciente também'

Por Carolina Hanashiro*

E lá se vão oito meses de Desapegão! Abracei o projeto em novembro, poucos dias após as barragens da mineradora Samarco se romperem e jogarem lama e dejetos sobre a cidade de Mariana. O terrível desastre ambiental deixou pessoas sem casa e sem trabalho, do dia pra noite. Uma chance e tanto para colocar o Desapegão em prática.

Sem ter adquirido nenhuma peça nova, resolvi "fazer a limpa" no armário para doar roupas às vítimas do desastre. Saíram 61 peças (algumas do maridão) e tenho que admitir que foi muito, muito fácil. Era só pensar na situação daquelas pessoas que qualquer "calça in-crí-vel", qualquer "blusa achado", qualquer "sapato tãaaaaao confortável" virava apenas um pouco de pano para cobrir o corpo. Foi fácil também porque - como ficou evidente -  o armário estava superlotado.



Em dezembro, o desafio começou de verdade. Com o Natal e meu aniversário um mês e meio depois, vieram os presentes. E, apesar de já ser adepta da prática do "entra uma peça, sai outra" há cerca de dez anos, escolher o que tirar não foi tão fácil assim. Agora eram duas que saíam e não uma. Agora as peças menos queridas já tinham ido embora.

O curioso é que o difícil não era exatamente o apego às roupas. Com a prática, desapegar - e principalmente reduzir o consumo - é um exercício delicioso. O que realmente deu algum trabalho foi enxergar de verdade o meu armário (mas literalmente falando, ficou muito mais fácil ver tudo o que há nele): parar para pensar o que há de mais útil ali, o que tem mais a ver com o meu estilo atual, minhas necessidades, meu momento de vida... Cada substituição virou uma, digamos, terapia de autoconhecimento.

Em oito meses, comprei seis peças e ganhei outras nove. Fizeram as contas? 30 doações? Na verdade, 50 (mais as 61 iniciais). Isso porque desapegar é contagiante. Consumir de forma mais consciente também. E, embora saiba que ainda tenha muito que evoluir nestes temas, estou muito feliz com o resultado.



* Carol Hanashiro é parceira de Desapegão, jornalista como eu, comadre das antigas e pessoa iluminada. Hoje, ela empresta sua linda luz ao 365, como segunda autora convidada do blog