30/09/2015

Último update do cabelão (#6): Lenita, Evelin e Camila

O projeto do perucão solidário inicia hoje a contagem regressiva para o seu fim - são só mais 16 dias! - e aproveito para atualizar vocês, amados, sobre a evolução da cabeleira das três últimas queridas a aderirem à missão: Lenita, Evelin e Camila. O trio, que nem se conhece, resolveu, por coincidência, me acompanhar no desafio de ficar 365 dias sem cortar a juba, para doá-la, durante o mês de maio. E como tem sido a jornada até agora? Só magia? Só estorvo? Elas revelam:

Lenita Outsuka



"Tenho muito cabelo. Um monte. Os fios crescem bem e rápido. Mas foram poucas as vezes em que deixei crescer. Porque sou calorenta e eles esquentam. Porque tenho preguiça de arrumar a cabeleira, embora adore fazer tranças (mas não na minha cabeça). Mesmo assim, decidi deixar crescer por um ano, período que começou oficialmente em agosto, quando igualei o tamanho dos fios. A pontinha mais longa vai ficar – é o que meu neto chama de 'charminho'. O cabelo ainda não me deu problema, mas espero que esteja grande o suficiente para ficar preso no alto verão: vai ser complicado aguentar o calorão. E vamos que vamos: compromisso é coisa séria!"

Evelin Fomin



"A experiência de deixar os cabelos crescerem tem seus altos e baixos. O que me mantém seguindo em frente é saber que vou dar um fim útil a eles ao final de um ano - para mim, ainda tem chão. O Carlinhos, da Rua Simão Álvares, é um milagreiro. Ele sempre cortou meu cabelo para fazer 'o corte durar'. Não volto lá há seis meses e, mesmo assim, o corte tem se mostrado versátil. Agora, um elástico já segura um rabinho micro. No início, foi difícil entender como superar a fase do nem curto nem médio, do "o que fazer com as pontas secas?"... Mas não posso reclamar. A dupla Carlinhos e óleo de argan é apenas aliada do objetivo mais singelo, que é fazer dessas madeixas fininhas uma peruca feliz."

Camila Kzan



"Para mim, não está sendo superfácil deixar o cabelo crescer tanto. Dá um trabalhão! O que eu tenho feito é cortar as pontas duplas (eu mesma), passar por uma hidratação sempre que possível e prender com elástico frouxo, porque sinto muito calor e não sei o que fazer com tanto cabelo no meu pescoço e no meu rosto. E, até o fim do projeto, ele vai ficar bem maior..."

<3 <3 <3

Fica aqui o meu muito obrigado a essas três parceiras incríveis, assim como às outras, igualmente preciosas: Sabrina Braile, Paloma Cotes, Agatha Kim e Stella Ribeiro. A participação de cada uma de vocês, espontânea e surpreendente, levou este projeto a um novo patamar, com muito mais significado e visibilidade. Amei, chorei, ovulei!

24/09/2015

Aprendam, grandões

Quando o assunto é solidariedade capilar, meninos vêm dando aulas para nós, marmanjos. Já registrei aqui a minha indignação contra o preconceito que atinge homens cabeludos e inibe, portanto, doações masculinas de madeixas. No mesmo post, contei a história de Christian McPhilamy, um menino americano que encarou dois anos de bullying após resolver deixar a cabeleira crescer, para doá-la.

Mesmo sob ataque, o pequeno Christian não desistiu. E doou longos feixes platinados, mostrando determinação e coragem exemplares, ausentes em muitos barbados talhados pela idade. Agora, no Brasil, surge outro pequeno-grande herói: Luís Guilherme Magalhães Rodrigues. No "alto" dos seus 9 anos, o matogrossense não apara a jubinha desde os 6, para doá-la ao Hospital do Câncer de Mato Grosso.



Rosilda, mãe de Luís, conta, nesta reportagem do G1, que o filho - obviamente - é vítima de piadinhas. Mas ela garante: a maioria das pessoas se comove ao descobrir o motivo do cabelón. "Alguns parentes já choraram de emoção."

O menino criou seu próprio projeto do perucão solidário quando ficou internado por causa de uma crise de sinusite e conheceu crianças com câncer. Três anos depois, ostentando cachos compridos e lindushos, Luís não quer parar. Assim que concretizar a doação, começará um novo "cultivo", que se estenderá até os seus 15 anos!

Aprendamos.

16/09/2015

#Partiu último mês!



Afogado em ansiedade, sedento pelo alívio e, ainda assim, arranhado por um caticulino de apego. Eis o meu estado de espírito hoje, quinta-feira linda, início dos últimos 30 dias do projeto do perucão solidário.

Sim, amados, apenas mais um mês e esse cabelão todo aí da foto - que terá completado um ano de crescimento ininterrupto - será cortado e doado, enfim, a uma ONG responsável por confeccionar perucas para crianças com câncer.

Já vislumbro os 30 dias mais longos destes 365...

08/09/2015

Update do cabelão #5: outra missão cumprida



Depois de Sabrina Braile, o projeto do perucão solidário conta com mais uma parceira de rabo cortado, pronto para a doação: Paloma Cotes. Viva! E o desfecho da trajetória desta fiel peruquete ainda vem acompanhado de um grande episódio de superação.

Embora tenha ficado 365 dias longe das tesouras, como manda a nossa missão, contando o tempo a partir da sua última passada no salão (e não a partir da adesão ao projeto, tal qual Sabrina), Paloma foi levada a cortar as madeixas por sérios abalos na saúde. "Tive um quadro grave de infecção intestinal e infecção no fígado. Precisei passar por uma cirurgia e fiquei oito dias internada. Os exames também mostraram pedras na vesícula e terei que operar em dois ou três meses", contou a parceira.

"Nesta situação toda, manter um cabelão virou um problema. Então, quando cortei, fiquei aliviada e feliz. Aliviada porque o cabelo estava grande demais e dando muito trabalho. E feliz porque sei que a doação vai ser importante para alguém", explicou. "Também fiquei feliz porque fiz um corte que me deixou bem bonita. Quando a gente passa por um grave problema de saúde, precisa de um 'up' no visual, se sentir cuidada, bonita de novo. Espero que o meu cabelo possa proporcionar esta mesma sensação em uma pessoa que necessite."

O alvo da doação será a Rapunzel Solidária, entidade criada em março de 2013 por uma ex-paciente com câncer. "Algumas amigas já doaram para lá e, pesquisando, achei o trabalho bem bacana."

Sobre ter participado do primeiro projeto do 365, Paloma agradeceu a oportunidade. "Foi superimportante para mim. Continue inspirando outras pessoas." A gratidão é toda minha, Paloma! :) O seu comprometimento exemplar teve papel importantíssimo nesta caminhada. Que você se restabeleça logo e ilumine novas empreitadas solidárias. <3

02/09/2015

Quanto vale um cabelo?



Para alguns, ele é apenas sentimental - e, portanto, imensurável. Mas o valor do cabelo tem, sim, seu equivalente em cifras. E você nem precisa recorrer aos fabricantes de perucas e apliques para medi-lo: basta acessar o Mercado Livre.

Estão lá, anunciados junto a perfumes, crocs e DVDs, longos feixes capilares, com preços entre R$ 170 (50 gramas de fios) e R$ 2.490 (um quilo). Chocante, não? São anúncios que miram, sobretudo, o mercado bilionário do megahair, já mencionado neste post sobre o 'Livro do Cabelo', da jornalista e pesquisadora Leusa Araujo.

Segundo a autora, só no mercado europeu, as extensões de madeixas naturais movimentaram, em 2000, cerca de 30,7 bilhões de euros. Nas contas brasileiras, de acordo com reportagem do jornal 'O Estado de Minas', o impacto do megahair chegou a R$ 100 bilhões, em 2013.

Um produto tão lucrativo, obviamente, virou prato cheio para contrabandistas - e tem lotado os galpões da Receita Federal. No mês passado, a delegacia do fisco em Foz do Iguaçu (PR) apreendeu 249 quilos de cabelos trazidos ilegalmente da Índia (obrigado pelo alerta da notícia, Sabrina Braile! :) ). Avaliada em R$ 380 mil, a carga foi doada ao Banco de Perucas da Associação de Senhoras Rotarianas de Umuarama, cujo foco são mulheres em tratamento quimioterápico contra o câncer.

Sem dúvida, incômodos variados, éticos principalmente, me atormentam quando penso na comercialização de partes de um corpo - quaisquer partes. Entretanto, tento ser otimista e puxar a sardinha para o meu lado: se você também está em vias de doar o seu cabelo, agora, não tem mais dúvida do quão valiosa é esta doação.