10/08/2015

Homens que doam cabelo: cadê?

Somos raros e exóticos como pessoas sem sobrancelhas (ou Whatsapp). Pense: quantos portadores do cromossomo Y com projeto ou histórico de doação de jubas você conhece? Pois é. Tirando eu mesmo, minha memória não pesca mais ninguém.

Homens de cabelos compridos, pasme, ainda são alvos de babaquice e ignorância - portanto, constantemente desmotivados a aderir à onda da solidariedade capilar. Que o diga o menino americano Christian McPhilamyvítima de bullying por dois longos anos após decidir deixar sua cabeleira crescer para doá-la. E não eram apenas os coleguinhas de escola que o atordoavam; até os adultos tiravam um sarro e repreendiam os pais do moleque por deixá-lo ostentar "cabelo de menina".

Graças aos céus, Christian resistiu, sempre apoiado pelos progenitores heróis, e doou quatro lindas mechas platinadas a uma instituição responsável por confeccionar perucas para crianças com câncer. Um pequeno-imenso lutador, cuja bravura inspirou outros meninos - mas cuja trajetória de humilhações certamente desestimulou vários potenciais doadores.



Minha experiência até aqui também carrega episódios deprimentes relacionados a preconceito - já descrevi, inclusive, alguns deles neste post. Recentemente, uma pessoa que acabara de conhecer o projeto do perucão solidário soltou: "Ah, agora entendi a razão desse seu cabelo..." Porque, né, como não sou Jared Leto ou Jesus Cristo, para ter madeixas longas, preciso de um motivo, tipo, sei lá, doença. Ou promessa.

Triste.

De rótulos e estigmas a solidariedade ainda apanha - e apanha feio. Lutemos, então, pelo dia em que "coisa de homem" seja virar esse jogo.