25/08/2015

De repente, uma beliscada no coração

Nunca pensei que ele surgiria. Nestes dez meses de perucão solidário - leitores mais assíduos que o digam - , grita aqui no blog a descoberta, obviamente nada aprazível, do quanto um cabelo comprido pode ser trabalhoso, incômodo, estorvante. E também embaraçoso, para uma vida social ou um pente.

Mas eis que, inesperada e timidamente, ele apareceu: o apego.

Se antes era aflitivo me encarar no espelho e vê-lo tomado por essa juba lo-ka e incontrolável, hoje é até prazeroso. Passo mais tempo apreciando os fios e, vez ou outra, tenho rompantes de pura felicidade. Algo assim:





Os pudores de fazer selfies ruíram e, mesmo que as fotos ainda permaneçam no modo privado, sinto necessidade de preservar a memória do cabelão, para a posteridade. Além disso, agora, engasgo com um fiozinho de dó quando vislumbro a tesourada que levará o perucón embora.

Pois é. Quase no fim da missão, uma nova - embora básica - descoberta: vai ser mais difícil doar essa cabeleira do que eu imaginava.