25/08/2015

De repente, uma beliscada no coração

Nunca pensei que ele surgiria. Nestes dez meses de perucão solidário - leitores mais assíduos que o digam - , grita aqui no blog a descoberta, obviamente nada aprazível, do quanto um cabelo comprido pode ser trabalhoso, incômodo, estorvante. E também embaraçoso, para uma vida social ou um pente.

Mas eis que, inesperada e timidamente, ele apareceu: o apego.

Se antes era aflitivo me encarar no espelho e vê-lo tomado por essa juba lo-ka e incontrolável, hoje é até prazeroso. Passo mais tempo apreciando os fios e, vez ou outra, tenho rompantes de pura felicidade. Algo assim:





Os pudores de fazer selfies ruíram e, mesmo que as fotos ainda permaneçam no modo privado, sinto necessidade de preservar a memória do cabelão, para a posteridade. Além disso, agora, engasgo com um fiozinho de dó quando vislumbro a tesourada que levará o perucón embora.

Pois é. Quase no fim da missão, uma nova - embora básica - descoberta: vai ser mais difícil doar essa cabeleira do que eu imaginava.

17/08/2015

Há dias em que eu me olho no espelho e vejo #2:



1. Meatloaf



2. Naomi Campbell



3. Didi



4. Cher (fofa)



5. Gueixa Hatsumomo



6. Kim Kardashian (pobre)



7. Massacration



8. Madonna (perdida nas trevas)



9. Morticia Addams (as trevas)



10. Celso Kamura

10/08/2015

Homens que doam cabelo: cadê?

Somos raros e exóticos como pessoas sem sobrancelhas (ou Whatsapp). Pense: quantos portadores do cromossomo Y com projeto ou histórico de doação de jubas você conhece? Pois é. Tirando eu mesmo, minha memória não pesca mais ninguém.

Homens de cabelos compridos, pasme, ainda são alvos de babaquice e ignorância - portanto, constantemente desmotivados a aderir à onda da solidariedade capilar. Que o diga o menino americano Christian McPhilamyvítima de bullying por dois longos anos após decidir deixar sua cabeleira crescer para doá-la. E não eram apenas os coleguinhas de escola que o atordoavam; até os adultos tiravam um sarro e repreendiam os pais do moleque por deixá-lo ostentar "cabelo de menina".

Graças aos céus, Christian resistiu, sempre apoiado pelos progenitores heróis, e doou quatro lindas mechas platinadas a uma instituição responsável por confeccionar perucas para crianças com câncer. Um pequeno-imenso lutador, cuja bravura inspirou outros meninos - mas cuja trajetória de humilhações certamente desestimulou vários potenciais doadores.



Minha experiência até aqui também carrega episódios deprimentes relacionados a preconceito - já descrevi, inclusive, alguns deles neste post. Recentemente, uma pessoa que acabara de conhecer o projeto do perucão solidário soltou: "Ah, agora entendi a razão desse seu cabelo..." Porque, né, como não sou Jared Leto ou Jesus Cristo, para ter madeixas longas, preciso de um motivo, tipo, sei lá, doença. Ou promessa.

Triste.

De rótulos e estigmas a solidariedade ainda apanha - e apanha feio. Lutemos, então, pelo dia em que "coisa de homem" seja virar esse jogo.

04/08/2015

Dez hairstyles para substituir o perucão solidário

Quando uma tesoura extrair, em 17 de outubro, o material de doação que reguei e adubei durante 365 dias, restarão poucas lembranças dele na minha cabeça. Talvez, um chanel curtíssimo - e bem ridículo. A ideia, portanto, é apagar esses resquícios com um visu radicalmente novo. Como tenho ansiedade no nome, já comecei a coletar inspirações de cortes e a levantar nomes de celebs com cabeleiras imitáveis. Será que eu chego? Veja alguns:



1. Psy (uma vibe Gangnam Style, para lacrar)



2. Hirai Ken (muso japa, para balancear)



3. Takeshi Kaneshiro (outro boy asiático, para umidificar)



4. Harry Shum Jr. (tô inspirado)



5. Hidetoshi Nakata (tá, parei)



6. Justin Bieber (algemado e fazendo carão no tribunal. Isso sim é Gangnam Style)



7. Jared Leto (resplandecente, irradiando luz até das sobrancelhas)



8. Anne Hathaway (em completo desamparo e desespero)



9. Britney Spears (em fúria)



10. Monja Coen (em paz, sempre)