07/07/2015

Por que doar?

Cabelo, sangue, dinheiro, roupas, comida, o seu tempo, o seu dom. Por que doar? Não acredito nos incontáveis clichês pescados pelo Google quando acionado com tal pergunta - manuais do bom-mocismo, receitas de felicidade, trocas espirituais... Para mim, doar vai além. Doar me mantém vivo.

Quando os pilares da realização profissional e da estabilidade financeira desabam e me soterram, uma bela maneira de não morrer é levantar da cama e visitar as crianças e os adolescentes do abrigo onde atuo como voluntário. Não, não são histórias lindas que me curam - a casa acolhe pequenos em situação de risco e vulnerabilidade social. Me cura, sim, ver como fracasso e sucesso viram asneiras colossais diante do poder de um simples ouvir e se importar. Lá, eu sei: é preciso pouco, muito pouco para fazer algo dar certo.

Quando o ódio e a ignorância impregnam e envenenam o ar, tenho na solidariedade a minha máscara de oxigênio. Doando, eu resisto. Resisto a Cunhas, Malafaias, Felicianos, racistas, misóginos, homofóbicos e todos os seus efeitos colaterais. Resisto a quem aplaude o PM que atira antes de perguntar, a quem repudia a faxineira no aeroporto e o motoboy na universidade. Doando, eu consigo respirar. Doando, eu sobrevivo.

Acredite: doar salva vidas. A começar pela sua.