30/07/2015

Update do cabelão #4: Sá cumpriu a missão!



Foi dureza, mas acabou. A parceira Sabrina Braile finalmente se livrou da juba que deixou crescer por um ano inteiro, para doá-la. Nossa queridaça de Brasília aderiu à missão do perucão solidário em novembro de 2014, mas começou a contar os 365 dias a partir do seu último corte de cabelo, feito em julho. Assim, na semana passada, ela completou a empreitada e decepou as madeixas, encerrando com rabo de ouro essa linda caminhada.

Linda e sofrida: na segunda edição do 'Update do cabelão', Sabrina relatou alguns estorvos da experiência, como noites aterrorizadas pelo perucón. Tesourá-lo, enfim, foi só alegria? Ela responde abaixo:

Eu - A tesourada libertadora trouxe apenas alívio ou rolou também um apego, uma saudade, um apertinho no coração?

Sá - O alívio foi intenso, mas rolou um apeguinho também. Acho que não teria tido coragem de cortar se não fosse rolar a doação depois. No fim, a ideia de doar foi o que segurou a onda do apego e me fez desapegar rapidinho. :)

Sei que você produziu um material fartíssimo de doação...

Foram seis rabos (:O), o maior com aproximadamente 45 centímetros. Olha a foto:



Já decidiu qual organização será a beneficiada?

Vou doar para a Rede Feminina de Combate ao Câncer, aqui de Brasília. Eles têm o projeto Oficina da Peruca e uma grande demanda por cabelo, já que trabalham majoritariamente com pacientes femininas.

* * *

Superobrigado, Sá, pela participação no primeiro projeto deste blog! O seu gesto certamente vai inspirar muita gente e beneficiar, assim, várias outras organizações além da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Emocionei, sis... <3

22/07/2015

Cabelos caídos, ralo entupido e chuva no apê de baixo

A onipresença de uma juba sem corte há vários meses no cotidiano de um cidadão foi bem descrita por Agatha Kim, uma das parceiras do projeto 1 deste blog, na terceira edição do 'Update do cabelão'. "Para onde quer que eu olhe, ele (o cabelo) lá está. Tenho muitos fios, pesados e grossos, que deixam rastros pela casa toda: no ralo do banheiro, no tapete, no travesseiro…", contou Gai.

Comigo, entretanto, a situação se agravou. Não satisfeitos em surgir aos quilos no ralo do meu banheiro, filhos desgarrados do perucão solidário trataram de entupi-lo. E, com o entupimento, causaram também um lindo vazamento no apartamento de baixo, deixando sua dona bem feliz - ela me enviou até vídeos da "garoa". Vários vídeos.

A culpa doeu. Decidi então resolver o problema no braço, resgatando a coragem de algum ancestral samurai. Removi a tampinha do orifício, prendi a respiração e enfiei a mão nele com bravura, não tão grande quanto a necessária para segurar o vômito quando extraí, lá do fundo, um imenso e viscoso emaranhado capilar, que quase me mordeu.

Ainda traumatizado com a experiência - e sentindo nas mãos resquícios daquela textura bizarramente peculiar - , pensei em quantos fios já foram desperdiçados desde o início da missão, há nove meses. Certamente, se eu pudesse recuperar todos esses desertores, em todas as suas rotas de fuga, conseguiria doar, em outubro, não apenas um feixe de cabelo, mas uma peruca completa, das bem fartas.

Que pena tantas e tantas mechas solidárias terem ido pelo ralo - e que merda terem voltado para me assombrar.

16/07/2015

Chegando à reta final!



E o projeto do perucón solidário celebra hoje exatos nove meses de vida e o início dos últimos três até a tesourada decisiva, em 17 de outubro. Nove meses, uma gestação, hein? De fato, a ansiedade para decepar logo essa juba e doá-la é tamanha que ando a ponto de parir. Pelo menos, agora, restam só 90 dias de estorvo.



Acima, você confere o crescimento da cabeleira até o sexto mês, registrado pelo top fotógrafo Daniel Aratangy, e, abaixo, a prova de que ela segue intacta, bem longe das tesouras.









O último registro fotográfico do perucão será feito em outubro, pouco antes do corte. Inté! :)

07/07/2015

Por que doar?

Cabelo, sangue, dinheiro, roupas, comida, o seu tempo, o seu dom. Por que doar? Não acredito nos incontáveis clichês pescados pelo Google quando acionado com tal pergunta - manuais do bom-mocismo, receitas de felicidade, trocas espirituais... Para mim, doar vai além. Doar me mantém vivo.

Quando os pilares da realização profissional e da estabilidade financeira desabam e me soterram, uma bela maneira de não morrer é levantar da cama e visitar as crianças e os adolescentes do abrigo onde atuo como voluntário. Não, não são histórias lindas que me curam - a casa acolhe pequenos em situação de risco e vulnerabilidade social. Me cura, sim, ver como fracasso e sucesso viram asneiras colossais diante do poder de um simples ouvir e se importar. Lá, eu sei: é preciso pouco, muito pouco para fazer algo dar certo.

Quando o ódio e a ignorância impregnam e envenenam o ar, tenho na solidariedade a minha máscara de oxigênio. Doando, eu resisto. Resisto a Cunhas, Malafaias, Felicianos, racistas, misóginos, homofóbicos e todos os seus efeitos colaterais. Resisto a quem aplaude o PM que atira antes de perguntar, a quem repudia a faxineira no aeroporto e o motoboy na universidade. Doando, eu consigo respirar. Doando, eu sobrevivo.

Acredite: doar salva vidas. A começar pela sua.

05/07/2015

Update do cabelão #3: Gai



Já se passaram quatro meses desde que Agatha Kim, a Gai, decidiu me acompanhar na missão de ficar 365 dias seguidos sem cortar a juba, para doá-la, tornando-se, assim, uma das parceiras do projeto 1 deste blog. E como está sendo a experiência até agora? Linda e perfumada? Uma coceira no fiofó? Ela mesma conta.

Eu - E aí, Gai? Fala que eu te escuto.

Gai - Meu cabelo parece ter ganhado vida própria. Com volume, comprimento e peso novos, é hoje uma presença mais protagonista na minha vida. Para onde quer que eu olhe, ele lá está. Tenho muitos fios, pesados e grossos, que deixam rastros pela casa toda: no ralo do banheiro, no tapete, no travesseiro... O cabelo também virou tema. Como eu o deixei na mesma medida por muito tempo, agora, quem me vê sempre repara nele. "Nossa, que cabeluda!" Tem dias em que quero raspar, tem dias em que ele só sai preso e tem dias em que não sai.

Houve alguma mudança significativa na sua rotina desde que você entrou no projeto?

Mudaram os temas, mas os conflitos com o cabelo, como toda mulher bem sabe, se mantêm. Tive uma mudança comportamental, de mexer mais e tentar ajeitar esse novo corpo estranho à minha cabeça. De resto, tudo igual.

Com o conhecimento acumulado até aqui, você recomendaria a experiência para azamigues?

Por que não? :)

* * *

MAIS UPDATES DAS PERUQUETES

Paloma Cotes

Outra parceirona de missão, Paloma me mandou, via Facebook, imagens atualizadas da sua longa cabeleira, que entrou no oitavo mês de crescimento. Dá uma olhada na evolução:



Stella Ribeiro

Primeira a aderir ao projeto, no fim de outubro de 2014, Teca já cortou os cabelos e os doou. Muito obrigado pela participação!