31/03/2015

Virei meu cabelo



É um evento.

A exatos 200 dias do fim da missão da juba solidária, sair de casa com as madeixas soltas, ao vento, tornou-se um exercício de desapego à discrição - e paciência. As pessoas olham. Olham mesmo. Homens, em geral, parecem intrigados: "É macho ou fêmea?". Já elas viram o nariz e fecham a cara: "Ódio desse cabelo".

Duplas e trios cochicham algumas maldades e riem. Eu resgato o espírito benfeitor do projeto para não direcionar ao grupo um dos meus dedos médios. Ou entrar no primeiro hair salon de esquina e cortar o mal (ou bem?) pela raiz.

Todo homem de cabelo comprido passa por isso? Todo homem de cabelo comprido vira um pelado no outdoor? Se a minha cabeleira estivesse curta, mas azul, talvez chocasse menos.

Na rua, sem um elástico prendendo a juba, não me sinto mais uma pessoa. Me sinto um cabelo. Uma peruca. Uma peruca farta e longa, com braços e pernas. Uma peruca que anda, escreve e pensa. Uma peruca blogueira.