31/03/2015

Virei meu cabelo



É um evento.

A exatos 200 dias do fim da missão da juba solidária, sair de casa com as madeixas soltas, ao vento, tornou-se um exercício de desapego à discrição - e paciência. As pessoas olham. Olham mesmo. Homens, em geral, parecem intrigados: "É macho ou fêmea?". Já elas viram o nariz e fecham a cara: "Ódio desse cabelo".

Duplas e trios cochicham algumas maldades e riem. Eu resgato o espírito benfeitor do projeto para não direcionar ao grupo um dos meus dedos médios. Ou entrar no primeiro hair salon de esquina e cortar o mal (ou bem?) pela raiz.

Todo homem de cabelo comprido passa por isso? Todo homem de cabelo comprido vira um pelado no outdoor? Se a minha cabeleira estivesse curta, mas azul, talvez chocasse menos.

Na rua, sem um elástico prendendo a juba, não me sinto mais uma pessoa. Me sinto um cabelo. Uma peruca. Uma peruca farta e longa, com braços e pernas. Uma peruca que anda, escreve e pensa. Uma peruca blogueira.

23/03/2015

Conhece a velaterapia?



O cabelo cresce sem controle, longe das aparadinhas periódicas, para que seja doado e vire uma linda peruca. As pontas duplas, assim, surgem em progressão geométrica, bem como os fios quebradiços, fraquinhos, fraquinhos. O que fazer? Acender uma vela e rezar?

Se você não tem fé, mas tem grana, pode apostar só na vela. Um tratamento capilar ressuscitado dos anos 80 e disseminado entre as famosas - entre elas, Fernanda Lima, Preta Gil, Isabella Fiorentino, Cleo Pires e Isabeli Fontana - usa o calor das chamas para restaurar o cabelão. É a velaterapia.

Funciona assim: o profissional pega uma mecha e a enrola com os dedos, fazendo um feixe torcido. Depois, passa a vela acesa pelo comprimento. O objetivo? Cauterizar as pontas abertas e desobstruir as camadas dos fios impermeabilizados por resíduos de produtos químicos, para que recebam nutrientes e se recuperem. O processo é repetido em todo o cabelo. Espia o vídeo:



No passo seguinte, o especialista tira as pontas duplas restantes com uma tesoura - e uma técnica tão delicada que ganhou o nome de "bordado" - e, por fim, dá um banho poderoso de vitaminas na cabeleira inteira.

Recomenda-se encarar o tratamento a cada dois, três ou quatro meses, dependendo do estado da juba. E, obviamente, não começar a incinerar as próprias madeixas em casa.

Prepare o bolso

A dica da velaterapia veio da amiga diva e parceira de missão Stella Ribeiro, devidamente acompanhada do (importante) aviso sobre o preço da brincadeira. "Deixar o cabelo crescer pode custar mais caro do que cortá-lo", contou Stella.

De fato, em uma rápida pesquisa feita por salões de São Paulo pioneiros na técnica, verifiquei que o valor varia de R$ 300 (no Spa Dios) a R$ 767 (no Lace and Hair dos Jardins).

Preciso primeiro acender umas velas para ficar rico.

16/03/2015

Update do cabelão #1: Paloma



Ela aderiu ao projeto da juba solidária em novembro do ano passado, incentivada pela filha Isabela, e é a minha primeira parceira de missão (conhece as outras?) a revelar como anda o crescimento das madeixas que serão doadas - com foto e tudo! Além de enviar ao blog imagens atualizadas do cabelão (à dir.), Paloma Cotes falou um pouco sobre como está sendo encarar esses 365 dias longe das tesouras. Ó:



Eu - E aí? So far so good?

Paloma - Estou amando a experiência! Acho que só tive o cabelo desse tamanho na infância - e por um breve período. Tem sido legal porque todo mundo sempre me viu de cabelo curtinho e o cabelão dá um ar diferente. Algumas pessoas elogiam, dizem até que pareço mais jovem. E o cabelo ainda tem um ondulado legal, que eu desconhecia, porque sempre cortava antes de chegar a esse ponto.

Um trampo cuidar de cabelo longo, não?

É bem mais trabalhoso. Já não consigo lavar todos os dias, como antes. E me incomoda um pouco aquele "molhado" na roupa, sabe? Mas é coisa pequena. Estou animada com o fato de que vai dar para fazer um perucão.

Você adotou algum novo cuidado nesses quatro primeiros meses sem corte?

Tenho tonalizado o cabelo com mais frequência, para tentar cobrir os fios brancos, que são muitos. Mas é o único cuidado extra. Talvez, mais perto de novembro, eu invista na hidratação, para deixar o cabelo mais legal na hora de doar.

09/03/2015

Força na peruca: projeto ganha mais uma parceira



Conheci Gai em uma viagem lindusha para Ubatuba, no litoral norte paulista, e a empatia foi instantânea. Passamos boas horas tricotando como duas comadres, imersos nos mais desconexos assuntos, até que chegamos à pauta deste blog. Então, veio a surpresa: "Também tô dentro do projeto", ela avisou.

Morri, né?

Gai, ou Agatha Kim, tornou-se, assim, a nova parceira do perucão solidário, assumindo o compromisso de ficar, como eu, 365 dias sem cortar as madeixas, a fim de doá-las, depois, a uma instituição que confecciona perucas para crianças com câncer. Ela se junta a outras três companheiras de missão: Stella Ribeiro, Sabrina Braile e Paloma Cotes. Timaço!

"Sempre pensei em doar os cabelos, pois já ouvi várias histórias de quem doou. Porém, acabava deixando a inércia e a correria da vida me levarem; quando via, já tinha se passado mais um verão e novas madeixas haviam sido cortadas", conta Gai. "Agora, o projeto vai me incentivar a manter  a disciplina de não cortar os cabelos e também a buscar uma instituição para doá-los", completa.

Tamo junto, sister! É nóis.

04/03/2015

E o rabicó virou um rabão



Já contei aqui que os cabelos costumam crescer, em média, cerca de 1 centímetro por mês, segundo o dr. Google. Mas, para a minha surpresa (e um certo desespero), o perucão solidário anda espichando em ritmo bem mais acelerado.

Quando comecei a missão, em outubro de 2014, tinha um rabo doável de módicos 16 centímetros (foto à esquerda); logo, passados estes primeiros quatro meses e meio sem corte, ele deveria estar, hoje, com 20,5 cm.

Pois bem. Acabei de fazer nova medição e, pasmem, já carrego 23 cm de rabo (foto à direita). Vinte e três! Ou seja, a previsão de terminar o projeto doando 28 cm de cabelo já Elvis. O fecho vai passar fácil, fácil dos 30.

Pode surtar, Arnaldo?