16/12/2015

Loser, com prazer



Foi um ano de perdas importantes. Mas isto não transformou 2015 em vilão. Porque nem tudo o que perdi teve o peso do menos.

Sim, houve dor. Lindas amizades chegaram ao fim. Lindas pessoas se foram. A esperança morreu um pouco. Carreira e futuro, antes chão, viraram areia movediça.

Algumas perdas, no entanto, trouxeram outras surpreendentemente iluminadas. A fé na humanidade se esvaziou um pouco, mas as ilusões também; amigos viraram ex-amigos, mas apenas porque perdi o medo de dizer a verdade; a solidez da profissão desabou, mas, com ela, ruiu o pavor de recomeçar (e pedir ajuda).

Ainda houve perdas que só somaram. Doei 36 centímetros de cabelo e completei a primeira missão deste blog. Perdi o medo de perder e comecei a segunda.

Talvez, a maior lição de 2015 esteja na descoberta de que a perda, às vezes, pode ser o melhor ganho.

***

Até 2016, folks! Volto em janeiro, para mais Projeto Desapegão! :)

08/12/2015

Desapega, Persan

Por Rafael Persan*

O consumo consciente de roupas, acessórios, calçados, eletrônicos e alimentos faz parte da minha vida desde que me conheço por gente. Talvez o fato de eu ter Mercúrio em Virgem e ser extremamente metódico, organizado e prático para realizar qualquer tipo de atividade influenciem nessa atitude. E, claro, os meus pais sempre foram um espelho nos quesitos “não deixa comida no prato”, “comprou roupa nova? Então doa uma peça antiga”, “só troque de celular quando o seu quebrar”, etc.

Acompanho o 365 desde o primeiro projeto e fiquei muito feliz com a nova proposta, pois posso participar – o fato de eu ser careca impossibilitou a minha colaboração no Perucão Solidário, rs. Então, let’s go Projeto Desapegão!



Proposta aceita e fui realizar as tradicionais compras de Natal (I ♥ 13º). E o desapego, que tinha tudo para ser fácil, não foi tão simples assim. Adquiri cinco peças e precisava retirar 10 itens da minha cômoda – sou tão desapegado que bastam apenas duas gavetas grandes e uma pequena para acomodar tudo que tenho. As peças mais antigas e básicas saem com facilidade; as com apego emocional, não.

Fiquei 20 minutos com uma camiseta do Harry Potter na mão. Não queria me desfazer daquela belezinha que me acompanhava há tantos anos. A estampa “Avada Kedrava, bitch” faz parte da minha história. É divertida e espanta qualquer nuvem negra do meu dia. Espantava. Depois de tanto sofrer, separei a peça para doação, pois ela já não me servia mais e ficava guardada apenas por recordação.

Acredito que o Projeto Desapegão vai me ajudar muito no processo de me livrar dos pequenos excessos que ainda persistem. Eu me desapego fácil dos bens materiais, mas sempre tem aquela camiseta que não serve mais e é difícil se desfazer. Obrigado pela oportunidade de participar, querido. ♥ Espero cumprir o desafio com sucesso e ser uma pessoa mais desapegada até no fim do próximo ano.



* Rafael Persan, novo parceiro de Desapegão, escreve porque não tem dinheiro para pagar o terapeuta, como conta em seu blog. E, hoje, escreve como o primeiro autor convidado do 365

01/12/2015

Para onde doar roupas?



Ainda não sou expert no assunto, até porque o Projeto Desapegão começou há menos de um mês. Mas com uma rápida fuçada na internet você encontra boas opções para a doação de roupas. Em "boas" leem-se entidades conhecidas, com muitos anos de atuação e idoneidade comprovada. São dicas preciosas sobretudo para quem não tem ideia de como dar um fim solidário à limpeza do armário.

E este início de dezembro é especialmente importante para as ONGs: muitas estão em campanha de Natal, angariando presentes para os seus beneficiários.

Obviamente, se você, como eu, já possui pessoas ou entidades a quem costuma entregar donativos esporadicamente e pretende se manter nelas, go ahead. As dicas a seguir miram mais os doadores de primeira viagem.

Aproveito o assunto para tirar uma dúvida que surgiu entre alguns parceiros do Desapegão: para quem encaminhar as doações? Para mim? Nananão. Cada parceiro escolhe o destino das roupas, ok? Até por isso montei a lista abaixo. O importante é cumprir o compromisso de, durante 365 dias, doar duas peças a cada nova adquirida (comprada ou recebida de presente). Para quem doar, o parceiro decide. ;)

A desapeguete Carolina Hanashiro, por exemplo, fez uma limpa no guarda-roupa (dela e do marido, Aitor) e doou, mesmo sem ter comprado nada, 61 peças (\o/) a uma loja que recolhia donativos para as vítimas da tragédia de Mariana (MG). Lindo, não? Ela até registrou o montante doado:



Curtiu? Se inspirou? Se iluminou? Conheça então cinco instituições para quem vale a pena direcionar as suas roupas:

1. AACC

A Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC) foi criada em 1984 e ajuda cerca de 300 pequenos pacientes por ano, oferecendo tratamento psicológico, suporte educacional, alimentação, alojamento, transporte... tudo de graça. É preciso levar as doações para a Rua Borges Lagoa, 1.603 (Vila Mariana, São Paulo), ou ligar antes para (11) 5082-5434. Mais informações: www.aacc.org.br.

2. AACD

Há 63 anos a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) trabalha para reinserir pequenos e adolescentes com deficiência na vida cotidiana. Apesar de o foco da entidade ser os mais novos, adultos e idosos também recebem atendimento. As roupas doadas vão para os bazares da AACD. Mais informações no site www.aacd.org.br ou pelos telefones 0800-7717878 e (11) 5576-0847.

3. CASA DO ZEZINHO

Tem mais de 20 anos de atuação na zona sul de São Paulo, atendendo crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Atualmente, são 1.500 beneficiários, que participam de atividades educacionais, culturais, esportivas, recreativas e até profissionalizantes. Para doar roupas e outros objetos, ligue para (11) 5818-0878 ou mande e-mail para contato@casadozezinho.org.br.

4. EXÉRCITO DA SALVAÇÃO

Fundada em 1865, na Inglaterra, a organização realiza trabalhos sociais em 124 países. No Brasil, ela retira, na casa dos doadores, roupas, móveis e outros objetos. Mais informações pelo telefone (11) 4003-2299 ou no site www.exercitodoacoes.org.br. Conheça também a campanha de Natal 'A árvore da doação'.

5. LIGA SOLIDÁRIA

A entidade atende hoje cerca de 10 mil crianças, jovens e adultos em situação de risco social. Ao todo, oferece nove programas socioeducativos, divididos em dois abrigos e nove Centros de Educação Infantil (CEIs). Mais de 90% do trabalho se concentra em Raposo Tavares (SP), mas a Liga também atua em três bairros paulistanos: Saúde, Rio Pequeno e Itaim Bibi. Para doar, ligue para (11) 3670-2911 (ramal 127) ou mande e-mail para doacoes@ligasolidaria.org.br. Mais informações: www.ligasolidaria.org.br.

24/11/2015

Mais quatro desapegados!

Gente linda e muito querida se juntou ao Projeto Desapegão nas últimas semanas, deixando este blogueiro aqui nas nuvens e o time de parceiros da missão ainda mais bombado. Agora, são oito os bródis and sis que me acompanham no desafio de, durante 365 dias, doar duas peças de roupas a cada nova adquirida (comprada ou recebida de presente).

Conheça os primeiros quatro parceiros

Sejam bem-vindos, então, os lindushos da vez: Emilia Ohara, minha prima; Keiko Oyama, minha mama; Carolina Hanashiro, comadre desde 1918; e Leonardo Chiarini, pessoa fundamental para o blog e a vida ;). Digam aí, cremosos:

Emilia Ohara



"Acho que nasci desapegada e por isso me desfazer de roupas, acessórios e outros objetos é muito natural e tranquilo. Sempre que estou separando os objetos que vou dar, fico pensando se a pessoa que receber usará com carinho, porque dou com amor. Apesar de desapegada, sempre fui muito consumista, mas nos últimos anos tenho mais olhado do que comprado e, quando chego em casa, me parabenizo e vejo que ainda tenho muita coisa para doar - graças a Deus!"

Keiko Oyama



"Amei este projeto. Meu marido sempre reclama dizendo que tenho a mania de juntar muitas coisas sem necessidade. Acho que é uma boa oportunidade para começar a reverter (aos poucos, hehehe) a situação."

Carolina Hanashiro



"Não pude participar do primeiro projeto do blog (do qual sou fã), mas estou muito animada com o Desapegão. Acho que não será muito difícil porque já tenho o costume de doar uma peça para cada nova que entra no guarda-roupa. Nunca vendi minhas roupas, sempre passei para frente o que não queria mais. Além disso, embora ainda esteja longe de poder ser considerada uma 'pessoa desapegada', nos últimos anos, tenho comprado muito menos. E a verdade é que me sinto muito melhor hoje."

Leonardo Chiarini



"Minha maior inspiração para entrar neste projeto é seu próprio criador. Tenho o privilégio de ter a companhia do Má por quase 10 anos e, com ele, aprendi que dá sim para viver bem se desapegando dos bens materiais. Mesmo assim, ainda me considero uma pessoa consumista, tenho roupa demais, coisas que não uso. Com certeza fazer parte deste projeto vai servir para que me torne duplamente melhor: ser um consumidor consciente e uma pessoa mais caridosa. Obrigado ao Má por esta oportunidade! ;) (Ah, se eu tivesse cabelo, com certeza também teria participado do projeto anterior)."

15/11/2015

Alguns bilhões de reais mofando no guarda-roupa



Um levantamento feito pelo Ibope em 2014 previa que, naquele ano, cada consumidor tupiniquim gastaria, em média, R$ 810 com roupas. Ao todo, os brasileiros torrariam R$ 138 bilhões enchendo os seus armários. Em 2013, outra previsão do Ibope mostrava que apenas os paulistas movimentariam R$ 35,8 bilhões em vestuário - um dispêndio per capita de R$ 889,57.

Várias interrogações então passeiam pelos meus (judiados) neurônios: quantos destes R$ 138 bilhões gastos em 2014 não estão hoje mofando nos armários? Quantos dos R$ 35,8 bilhões torrados pelos paulistas em 2013 ainda permanecem nas sacolas - e etiquetados? Quantas pessoas sem roupa e esperança este universo de vestuário estocado poderia ajudar?

Mais: quantos recursos naturais foram desperdiçados na produção de tantas peças que simplesmente não são usadas - e, pior, acabam descartadas, virando resíduos e provocando outros danos ambientais?

'Menas', vai

É por tudo isto que surgiu o Projeto Desapegão, segunda empreitada do 365. Ele se sustenta em dois pilares: solidariedade e sustentabilidade. Doemos mais, compremos menos. E as duas pontas, no fim, se juntam: com o desafio de doar duas roupénhas a cada nova adquirida (comprada ou recebida de presente) durante 365 dias, eu, automaticamente, penso seis vezes antes de ensacolar uma única meia.

Você pode se juntar à missão, como já fizeram os queridos aqui (e novos estão por vir \o/), ou apenas respirar antes de comprar. Pense, repense. Você precisa mesmo? Se a tentação vencer, que tal dar uma (só uma) peça velha para quem precisa? Pronto: a sua versão particular e 'pop-up' do Desapegão já terá sido cumprida com louvor - e ajudado pacas! :)

14/11/2015

Aviso sobre doações de roupas para Mariana (MG)

Se você, como eu, é morador de São Paulo (SP) e pensa em doar roupas para os desabrigados de Mariana (MG), atenção: o posto que a Legião da Boa Vontade (LBV) montou no Bom Retiro (na Avenida Rudge, 908) não está mais levando este tipo de mantimento à região afetada. Liguei para o local há pouco e soube da notícia. As roupas entregues lá agora serão direcionadas aos programas da Legião em São Paulo.

Aliás, em Mariana, segundo comunicado da prefeitura local divulgado hoje, o recebimento de qualquer tipo de doação foi suspenso temporariamente, por conta do grande volume de mantimentos entregue. O objetivo da suspensão é fazer o levantamento do que já foi doado e evitar desperdícios. O site da prefeitura vem sendo atualizado diariamente com notícias da tragédia, vale a pena acompanhar.

>> Update em 17/11/15: a administração de Mariana atualizou o comunicado, informando que, a partir de agora, as doações de roupas, mantimentos, água, produtos de higiene, entre outros, devem ser encaminhadas ao Serviço de Voluntariado da Assistência Social (Servas), em Belo Horizonte. A entidade está direcionando os donativos para outras cidades atingidas pelo rompimento das barragens. O Servas fica na Avenida Cristóvão Colombo, 683, Funcionários, Belo Horizonte. Telefone: (31) 3349-2400.

10/11/2015

Em cinco dias, quatro parceiros

Uma nova corrente lindusha do bem já começou a se formar por aqui. Com apenas cinco dias de vida e dois posts no blog, o Projeto Desapegão ganhou os seus primeiros quatro parceiros. Delícia, não? Para você ter uma ideia do quanto este número cintila nas minhas retinas, o projeto passado - aquele do perucão solidário - reuniu, durante 365 dias, sete parceiras.

E uma delas, inclusive, está com a gente de novo: Camila Kzan. Além de ficar um ano sem cortar o cabelo, para doá-lo, Cami agora tem o desafio de, como eu e os outros três companheiros da nova empreitada, doar duas peças de roupas a cada nova peça comprada ou recebida de presente. Merece no mínimo palmas, né? Eu jamé conseguiria tocar duas missões simultaneamente.

Outras adesões ilustres e queridas são de Sérgio Oyama Júnior, meu caríssimo irmão, autor do blog Orquídeas no Apê e orgulho da família; Lia Rizzo, mãe da minidiva Catarina (que está por vir) e mulher ultrachique; e Ana Paula Carvalho, a Aninha, amiga das antiiiiiigas e colega de sarcasmo.

Timão! Com a palavra, então, os ilustres jogadores:

Ana Paula Carvalho



"Há mais de dez anos que, para cada roupa nova que compro ou ganho, eu separo uma peça para doar. Começou por causa de um armário pequeno que eu dividia numa república e hoje estou com um armário imenso e abarrotado (santo efeito sanfona de dietas mal sucedidas). Então, vou participar do projeto para colocar o meu armário de dieta também, doando duas peças para cada peça adquirida. E que venham os próximos 364 dias!"

Camila Kzan



"Como fã que sou do 365, decidi que participaria do Desapegão bem na hora em que o Má postou a novidade no Facebook. Acho que este projeto vai ser mais fácil porque é bem comum eu me desfazer das minhas roupas. Devo fazer pequenas limpezas de três em três meses. Explico: não gosto de juntar coisas materiais. Acho que acumula energia e, além disso, tem muita gente que precisa. Então, a partir de hoje, preciso apenas me organizar para cada vez que ganhar ou comprar uma peça, separar duas e me desapegar delas! Além disso, menos é mais. :)"

Sérgio Oyama Junior



"Tenho na família pessoas que costumam guardar as coisas e outras que gostam de jogá-las fora. Acho que este contexto fez de mim um ser híbrido. Passo longos períodos acumulando, às vezes compulsivamente e, vez ou outra, surto e saio eliminando os excessos. Foi este background que me levou a aceitar participar do Projeto Desapegão. Além do benefício que esta importante iniciativa trará ao meu guarda-roupa, será uma maneira de retribuir e agradecer por tudo que tenho recebido nos últimos anos."

Lia Rizzo



(Lia não conseguiu enviar o seu depoimento a tempo, mas atualizaremos o post em breve)

05/11/2015

Projeto 2 (ou Desapegão): day one



Eis o meu guarda-roupa hoje, 5 de novembro de 2015. Pode não ser dos mais abarrotados e repletos de apegos e velharias, mas, ainda assim, ostenta os seus excessos. E eliminá-los, com foco na solidariedade, será o desafio do Projeto 2 deste blog, que começa agora! \o/

Veja como foi o Projeto 1

Até o dia 5 de novembro de 2016 - ou seja, daqui a exatos 365 dias - , me comprometo a doar duas peças de roupas a cada nova peça comprada ou recebida de presente. No termo "roupas", também se encaixam acessórios, calçados e bolsas, três alvos de vícios com a força maligna dos provocados por açúcar, gordura trans e ócio. Em outras palavras: vai ser bem phoda.

Todas as doações ganharão os seus devidos registros aqui no 365 e ainda serão contabilizadas, para a prestação de contas que marcará o fim da missão.

Então, amados leitores, #partiu Projeto Desapegão! Por mais solidariedade, menos consumo, mais sobras na conta bancária e menos mofo no guarda-roupa. Será que eu chego?

17/10/2015

Projeto 1: concluído



It's done, babies!

O perucão solidário já se encontra devidamente acondicionado em uma sacolinha, esperando ser doado. Hoje, 17 de outubro de 2015, cortei a juba que deixei crescer por 365 dias, cumprindo o prometido em 17 de outubro de 2014 e encerrando o primeiro projeto deste blog. O alívio é grande - os transtornos de um cabelo longo e pesado foram reportados às pencas por aqui - , assim como a emoção. Pelas lições desta trajetória, pela criança com câncer que o perucón um dia ajudará e, sobretudo, pelo apoio dos amigos, parceiros, familiares e leitores. Obrigado, seus lindos! Cada um de vocês tornou esta doação muito mais valiosa.

Os números da missão também me encantam: além dos 365 dias de duração, foram 62 posts escritos no blog, 3 mil visitantes recebidos aqui e 36 centímetros de cabelo doável produzidos. Sete parceiras se juntaram ao projeto, inspirando várias outras pessoas a doarem suas madeixas. Por tudo isso, só tenho o que comemorar e agradecer. Com um nozinho na garganta, me despeço do cabelão e deste projeto - mas já pensando no próximo. Vai ser o quê? Só quem continuar por aqui saberá... ;)

Veja abaixo o registro do corte libertador, feito por Leo Chiarini, um dos grandes incentivadores deste blog - e para quem nunca haverá agradecimento suficiente <3 <3. Ah, o vídeo anunciado no post anterior não rolou, ele ficaria longo demais (eu previa apenas uma tesourada, mas foram várias). Dá uma olhada:



A despedida...



Shirley, minha cabeleireira há dez anos, foi a responsável pelo corte



O perucão não ficaria seguro em apenas um rabo



No total, Shirley cortou 11 rabinhos



Juntos, renderam 36 centímetros de juba doável

>> Update em 27/10/15: a doação foi feita para a ONG Rapunzel Solidária. Veja aqui

Até o próximo projeto! :)

13/10/2015

Ajoelhai, agradecei... e olhai o perucón pela última vez



Foi na fé, irmãos. A peregrinação capilar que iniciei em outubro de 2014 chega, enfim, à sua última semana. Amém? No sábado, dia 17, o perucón solidário receberá a tesourada libertadora, após 365 dias de crescimento ininterrupto, e será doado. Eis, assim, o derradeiro registro fotográfico do cabelão, provando aos amados leitores que, apesar do estorvo de quase um ano sem corte, ele segue intacto.



Não percam, no próprio sábado, o relato do corte - talvez role até um vídeo. Améééééééééééém?



Para refrescar a memória - ou para quem não viu os registros anteriores - , segue uma breve linha do tempo, com a evolução das madeixas a cada três meses. E vejo vocês no sábado, se Nossa Senhora do Cabelo Duro permitir. Amééééé... Tá, parei.

30/09/2015

Último update do cabelão (#6): Lenita, Evelin e Camila

O projeto do perucão solidário inicia hoje a contagem regressiva para o seu fim - são só mais 16 dias! - e aproveito para atualizar vocês, amados, sobre a evolução da cabeleira das três últimas queridas a aderirem à missão: Lenita, Evelin e Camila. O trio, que nem se conhece, resolveu, por coincidência, me acompanhar no desafio de ficar 365 dias sem cortar a juba, para doá-la, durante o mês de maio. E como tem sido a jornada até agora? Só magia? Só estorvo? Elas revelam:

Lenita Outsuka



"Tenho muito cabelo. Um monte. Os fios crescem bem e rápido. Mas foram poucas as vezes em que deixei crescer. Porque sou calorenta e eles esquentam. Porque tenho preguiça de arrumar a cabeleira, embora adore fazer tranças (mas não na minha cabeça). Mesmo assim, decidi deixar crescer por um ano, período que começou oficialmente em agosto, quando igualei o tamanho dos fios. A pontinha mais longa vai ficar – é o que meu neto chama de 'charminho'. O cabelo ainda não me deu problema, mas espero que esteja grande o suficiente para ficar preso no alto verão: vai ser complicado aguentar o calorão. E vamos que vamos: compromisso é coisa séria!"

Evelin Fomin



"A experiência de deixar os cabelos crescerem tem seus altos e baixos. O que me mantém seguindo em frente é saber que vou dar um fim útil a eles ao final de um ano - para mim, ainda tem chão. O Carlinhos, da Rua Simão Álvares, é um milagreiro. Ele sempre cortou meu cabelo para fazer 'o corte durar'. Não volto lá há seis meses e, mesmo assim, o corte tem se mostrado versátil. Agora, um elástico já segura um rabinho micro. No início, foi difícil entender como superar a fase do nem curto nem médio, do "o que fazer com as pontas secas?"... Mas não posso reclamar. A dupla Carlinhos e óleo de argan é apenas aliada do objetivo mais singelo, que é fazer dessas madeixas fininhas uma peruca feliz."

Camila Kzan



"Para mim, não está sendo superfácil deixar o cabelo crescer tanto. Dá um trabalhão! O que eu tenho feito é cortar as pontas duplas (eu mesma), passar por uma hidratação sempre que possível e prender com elástico frouxo, porque sinto muito calor e não sei o que fazer com tanto cabelo no meu pescoço e no meu rosto. E, até o fim do projeto, ele vai ficar bem maior..."

<3 <3 <3

Fica aqui o meu muito obrigado a essas três parceiras incríveis, assim como às outras, igualmente preciosas: Sabrina Braile, Paloma Cotes, Agatha Kim e Stella Ribeiro. A participação de cada uma de vocês, espontânea e surpreendente, levou este projeto a um novo patamar, com muito mais significado e visibilidade. Amei, chorei, ovulei!

24/09/2015

Aprendam, grandões

Quando o assunto é solidariedade capilar, meninos vêm dando aulas para nós, marmanjos. Já registrei aqui a minha indignação contra o preconceito que atinge homens cabeludos e inibe, portanto, doações masculinas de madeixas. No mesmo post, contei a história de Christian McPhilamy, um menino americano que encarou dois anos de bullying após resolver deixar a cabeleira crescer, para doá-la.

Mesmo sob ataque, o pequeno Christian não desistiu. E doou longos feixes platinados, mostrando determinação e coragem exemplares, ausentes em muitos barbados talhados pela idade. Agora, no Brasil, surge outro pequeno-grande herói: Luís Guilherme Magalhães Rodrigues. No "alto" dos seus 9 anos, o matogrossense não apara a jubinha desde os 6, para doá-la ao Hospital do Câncer de Mato Grosso.



Rosilda, mãe de Luís, conta, nesta reportagem do G1, que o filho - obviamente - é vítima de piadinhas. Mas ela garante: a maioria das pessoas se comove ao descobrir o motivo do cabelón. "Alguns parentes já choraram de emoção."

O menino criou seu próprio projeto do perucão solidário quando ficou internado por causa de uma crise de sinusite e conheceu crianças com câncer. Três anos depois, ostentando cachos compridos e lindushos, Luís não quer parar. Assim que concretizar a doação, começará um novo "cultivo", que se estenderá até os seus 15 anos!

Aprendamos.

16/09/2015

#Partiu último mês!



Afogado em ansiedade, sedento pelo alívio e, ainda assim, arranhado por um caticulino de apego. Eis o meu estado de espírito hoje, quinta-feira linda, início dos últimos 30 dias do projeto do perucão solidário.

Sim, amados, apenas mais um mês e esse cabelão todo aí da foto - que terá completado um ano de crescimento ininterrupto - será cortado e doado, enfim, a uma ONG responsável por confeccionar perucas para crianças com câncer.

Já vislumbro os 30 dias mais longos destes 365...

08/09/2015

Update do cabelão #5: outra missão cumprida



Depois de Sabrina Braile, o projeto do perucão solidário conta com mais uma parceira de rabo cortado, pronto para a doação: Paloma Cotes. Viva! E o desfecho da trajetória desta fiel peruquete ainda vem acompanhado de um grande episódio de superação.

Embora tenha ficado 365 dias longe das tesouras, como manda a nossa missão, contando o tempo a partir da sua última passada no salão (e não a partir da adesão ao projeto, tal qual Sabrina), Paloma foi levada a cortar as madeixas por sérios abalos na saúde. "Tive um quadro grave de infecção intestinal e infecção no fígado. Precisei passar por uma cirurgia e fiquei oito dias internada. Os exames também mostraram pedras na vesícula e terei que operar em dois ou três meses", contou a parceira.

"Nesta situação toda, manter um cabelão virou um problema. Então, quando cortei, fiquei aliviada e feliz. Aliviada porque o cabelo estava grande demais e dando muito trabalho. E feliz porque sei que a doação vai ser importante para alguém", explicou. "Também fiquei feliz porque fiz um corte que me deixou bem bonita. Quando a gente passa por um grave problema de saúde, precisa de um 'up' no visual, se sentir cuidada, bonita de novo. Espero que o meu cabelo possa proporcionar esta mesma sensação em uma pessoa que necessite."

O alvo da doação será a Rapunzel Solidária, entidade criada em março de 2013 por uma ex-paciente com câncer. "Algumas amigas já doaram para lá e, pesquisando, achei o trabalho bem bacana."

Sobre ter participado do primeiro projeto do 365, Paloma agradeceu a oportunidade. "Foi superimportante para mim. Continue inspirando outras pessoas." A gratidão é toda minha, Paloma! :) O seu comprometimento exemplar teve papel importantíssimo nesta caminhada. Que você se restabeleça logo e ilumine novas empreitadas solidárias. <3

02/09/2015

Quanto vale um cabelo?



Para alguns, ele é apenas sentimental - e, portanto, imensurável. Mas o valor do cabelo tem, sim, seu equivalente em cifras. E você nem precisa recorrer aos fabricantes de perucas e apliques para medi-lo: basta acessar o Mercado Livre.

Estão lá, anunciados junto a perfumes, crocs e DVDs, longos feixes capilares, com preços entre R$ 170 (50 gramas de fios) e R$ 2.490 (um quilo). Chocante, não? São anúncios que miram, sobretudo, o mercado bilionário do megahair, já mencionado neste post sobre o 'Livro do Cabelo', da jornalista e pesquisadora Leusa Araujo.

Segundo a autora, só no mercado europeu, as extensões de madeixas naturais movimentaram, em 2000, cerca de 30,7 bilhões de euros. Nas contas brasileiras, de acordo com reportagem do jornal 'O Estado de Minas', o impacto do megahair chegou a R$ 100 bilhões, em 2013.

Um produto tão lucrativo, obviamente, virou prato cheio para contrabandistas - e tem lotado os galpões da Receita Federal. No mês passado, a delegacia do fisco em Foz do Iguaçu (PR) apreendeu 249 quilos de cabelos trazidos ilegalmente da Índia (obrigado pelo alerta da notícia, Sabrina Braile! :) ). Avaliada em R$ 380 mil, a carga foi doada ao Banco de Perucas da Associação de Senhoras Rotarianas de Umuarama, cujo foco são mulheres em tratamento quimioterápico contra o câncer.

Sem dúvida, incômodos variados, éticos principalmente, me atormentam quando penso na comercialização de partes de um corpo - quaisquer partes. Entretanto, tento ser otimista e puxar a sardinha para o meu lado: se você também está em vias de doar o seu cabelo, agora, não tem mais dúvida do quão valiosa é esta doação.

25/08/2015

De repente, uma beliscada no coração

Nunca pensei que ele surgiria. Nestes dez meses de perucão solidário - leitores mais assíduos que o digam - , grita aqui no blog a descoberta, obviamente nada aprazível, do quanto um cabelo comprido pode ser trabalhoso, incômodo, estorvante. E também embaraçoso, para uma vida social ou um pente.

Mas eis que, inesperada e timidamente, ele apareceu: o apego.

Se antes era aflitivo me encarar no espelho e vê-lo tomado por essa juba lo-ka e incontrolável, hoje é até prazeroso. Passo mais tempo apreciando os fios e, vez ou outra, tenho rompantes de pura felicidade. Algo assim:





Os pudores de fazer selfies ruíram e, mesmo que as fotos ainda permaneçam no modo privado, sinto necessidade de preservar a memória do cabelão, para a posteridade. Além disso, agora, engasgo com um fiozinho de dó quando vislumbro a tesourada que levará o perucón embora.

Pois é. Quase no fim da missão, uma nova - embora básica - descoberta: vai ser mais difícil doar essa cabeleira do que eu imaginava.

17/08/2015

Há dias em que eu me olho no espelho e vejo #2:



1. Meatloaf



2. Naomi Campbell



3. Didi



4. Cher (fofa)



5. Gueixa Hatsumomo



6. Kim Kardashian (pobre)



7. Massacration



8. Madonna (perdida nas trevas)



9. Morticia Addams (as trevas)



10. Celso Kamura

10/08/2015

Homens que doam cabelo: cadê?

Somos raros e exóticos como pessoas sem sobrancelhas (ou Whatsapp). Pense: quantos portadores do cromossomo Y com projeto ou histórico de doação de jubas você conhece? Pois é. Tirando eu mesmo, minha memória não pesca mais ninguém.

Homens de cabelos compridos, pasme, ainda são alvos de babaquice e ignorância - portanto, constantemente desmotivados a aderir à onda da solidariedade capilar. Que o diga o menino americano Christian McPhilamyvítima de bullying por dois longos anos após decidir deixar sua cabeleira crescer para doá-la. E não eram apenas os coleguinhas de escola que o atordoavam; até os adultos tiravam um sarro e repreendiam os pais do moleque por deixá-lo ostentar "cabelo de menina".

Graças aos céus, Christian resistiu, sempre apoiado pelos progenitores heróis, e doou quatro lindas mechas platinadas a uma instituição responsável por confeccionar perucas para crianças com câncer. Um pequeno-imenso lutador, cuja bravura inspirou outros meninos - mas cuja trajetória de humilhações certamente desestimulou vários potenciais doadores.



Minha experiência até aqui também carrega episódios deprimentes relacionados a preconceito - já descrevi, inclusive, alguns deles neste post. Recentemente, uma pessoa que acabara de conhecer o projeto do perucão solidário soltou: "Ah, agora entendi a razão desse seu cabelo..." Porque, né, como não sou Jared Leto ou Jesus Cristo, para ter madeixas longas, preciso de um motivo, tipo, sei lá, doença. Ou promessa.

Triste.

De rótulos e estigmas a solidariedade ainda apanha - e apanha feio. Lutemos, então, pelo dia em que "coisa de homem" seja virar esse jogo.

04/08/2015

Dez hairstyles para substituir o perucão solidário

Quando uma tesoura extrair, em 17 de outubro, o material de doação que reguei e adubei durante 365 dias, restarão poucas lembranças dele na minha cabeça. Talvez, um chanel curtíssimo - e bem ridículo. A ideia, portanto, é apagar esses resquícios com um visu radicalmente novo. Como tenho ansiedade no nome, já comecei a coletar inspirações de cortes e a levantar nomes de celebs com cabeleiras imitáveis. Será que eu chego? Veja alguns:



1. Psy (uma vibe Gangnam Style, para lacrar)



2. Hirai Ken (muso japa, para balancear)



3. Takeshi Kaneshiro (outro boy asiático, para umidificar)



4. Harry Shum Jr. (tô inspirado)



5. Hidetoshi Nakata (tá, parei)



6. Justin Bieber (algemado e fazendo carão no tribunal. Isso sim é Gangnam Style)



7. Jared Leto (resplandecente, irradiando luz até das sobrancelhas)



8. Anne Hathaway (em completo desamparo e desespero)



9. Britney Spears (em fúria)



10. Monja Coen (em paz, sempre)